O constrangimento de não conseguir segurar a urina, conhecido como incontinência urinária, é uma realidade silenciosa que transforma negativamente a rotina de milhares de mulheres no Brasil. Estima-se que entre 25% e 45% da população feminina sofra com a condição, um problema que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) afirma atingir 45% das mulheres com mais de 40 anos. Mais do que um problema de saúde, essa alta prevalência impõe limites severos: encontros são evitados, viagens são adiadas e momentos de lazer se tornam fontes de ansiedade e medo.
O medo de um “escape” em público gera um ciclo vicioso de ansiedade e isolamento social. Muitas mulheres deixam de praticar exercícios, evitam risadas mais fortes e, progressivamente, se afastam de atividades que antes lhes davam prazer. Essa limitação impacta diretamente a autoestima e a qualidade de vida.

Para a fisioterapeuta Pélvica e palestrante, Flaviana Teixeira, o estigma em torno do tema é um dos maiores obstáculos para a busca por tratamento. “A incontinência urinária não é um ‘preço a pagar’ pela maternidade ou pelo envelhecimento. É uma disfunção de saúde com tratamento eficaz. No entanto, o medo, a vergonha e a crença de que é ‘normal’ paralisam essas mulheres e as condenam ao isolamento”, afirma.
A especialista destaca que, em vez de procurar ajuda profissional, muitas recorrem a paliativos como o uso constante de absorventes íntimos, que mascaram o problema e não resolvem a causa. “É devastador ver mulheres talentosas, ativas e cheias de vida se encolherem por medo de um pequeno vazamento. Elas cancelam aulas de dança, evitam passeios longos e até se privam da intimidade sexual. Isso compromete não apenas a saúde física, mas profundamente a saúde emocional e mental”, explica.
Fisioterapia pélvica como caminho para a liberdade
Flaviana ressalta que a Fisioterapia Pélvica é um tratamento conservador, acessível e com altas taxas de sucesso no tratamento da incontinência urinária, sendo, muitas vezes, a primeira linha de tratamento.
“Nosso trabalho é devolver a essas mulheres a confiança e o controle sobre o próprio corpo. Com exercícios específicos, biofeedback e conscientização corporal, devolvemos a função para o assoalho pélvico, que é o centro de sustentação. A paciente recupera a capacidade de se exercitar, viajar e, o mais importante, de viver sem medo do próximo espirro ou da próxima gargalhada”, conclui.
O principal recado da especialista é um chamado à ação: pare de normalizar o escape de urina e procure ajuda. O tratamento não só resolve a disfunção, mas também resgata a liberdade social e a autoestima comprometida pelo constrangimento.



