Todo início de ano vem acompanhado de um ritual quase automático: a famosa lista de metas. Nela, quase sempre aparecem promessas relacionadas à alimentação, à saúde, treino, ao emagrecimento ou ao tão sonhado “botar o shape”. São intenções legítimas, importantes e necessárias. Mas uma pergunta precisa ser feita com honestidade: quantas dessas resoluções conseguimos manter ao longo do ano?
Mais do que um novo começo, o ano que se inicia pode (e deve) ser encarado como uma oportunidade de dar continuidade ao que já foi iniciado, mesmo que de forma imperfeita. O que você de fato realizou ou iniciou em 2025? Estratégias desalinhadas, excessivas e extremas, acabam gerando frustração, abandono precoce e a sensação de fracasso ainda nos primeiros meses. Saúde não se constrói em ciclos curtos, e sim em processos individuais e sustentáveis.
Quando falamos de autocuidado, é importante deslocar o foco do resultado estético imediato para comportamentos que realmente promovem saúde física e mental e alinhados de fato com sua rotina e com o seu “eu”. A boa notícia é que essas metas são possíveis, acessíveis e adaptáveis à realidade de cada um.
Dormir mais e melhor, por exemplo, é uma das estratégias mais eficazes — e muitas vezes negligenciadas — para melhorar a saúde metabólica, a recomposição corporal, o humor, a concentração e até o controle do apetite. Regular o sono não exige perfeição, mas constância: horários mais estáveis e atenção à qualidade do descanso já fazem diferença.

Outro ponto essencial é a hidratação. Beber mais água ao longo do dia impacta positivamente o funcionamento do organismo como um todo – auxilia na regulação do apetite, da digestão e intestino, além da disposição. Pequenas mudanças, como manter uma garrafa por perto, ajudam a transformar essa meta em hábito.
A prática regular de exercício físico também merece ser vista com mais gentileza. O treino não precisa ser extremo, diário ou exaustivo para gerar benefícios. Exercitar-se no mínimo 3 vezes por semana, já contribui para a saúde cardiovascular, muscular e mental.
Além disso, metas como consumir mais frutas, verduras e alimentos in natura, reservar um tempo para o lazer, iniciar ou manter um acompanhamento psicoterapêutico são estratégias fundamentais para o cuidar-se de forma integrada. O lazer, muitas vezes subestimado, é parte ativa da saúde: ajuda na redução do estresse, melhora a adesão a outras metas e fortalece a perseverança ao longo do ano.
Em 2026, talvez o convite mais importante seja este: transformar o autocuidado e a saúde em prioridades reais, não apenas em resoluções de janeiro. Não se trata de fazer muito e tudo ao mesmo tempo, nem de cumprir metas rígidas, mas de avançar com constância, respeitando limites, construindo novos hábitos e celebrando pequenas conquistas.
Que este seja menos um ano de promessas abandonadas e mais um ano de compromissos possíveis, contínuos e sustentáveis com você mesma(o). Saúde não é um projeto de curto prazo — é uma construção diária daquilo que é sustentável para você!
Até breve!
Marcela nutri

Marcela Rodrigues Rocha
Nutricionista (CRN9 – 5529), especialista em Gastronomia (FAMESP), Mestre em Ciências dos Alimentos (IFTM) e Doutora em Engenharia de Alimentos – USP.
@marceladricha
Fotos: FreePick



