O início do ano, marcado pela campanha Janeiro Branco, reforça um alerta urgente: o crescimento expressivo dos transtornos mentais relacionados ao trabalho no Brasil. Dados do Ministério da Previdência Social indica que, entre 2024 e 2025, os afastamentos por transtornos mentais, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout, voltaram a crescer e já figuram entre as principais causas de licença médica no país. Segundo análise primária desses dados, feita pela empresa de gestão de pessoas e benefícios Caju, o número de afastamentos relacionados à transtornos mentais e de comportamento podem chegar à marca de meio milhão. O estudo apontou que a média mensal de afastamentos subiu de 39,3 mil casos por mês para 44,7 mil, uma alta de 13, 7%
Segundo a psicóloga e professora da Newton Paiva Wyden, Juliana Oliveira Braga, o burnout, deixou de ser um problema individual e passou a ser um fenômeno coletivo, diretamente ligado à forma como o trabalho está organizado. “O burnout é resultado de um processo contínuo de esgotamento físico e emocional. Ele não surge de um dia para o outro. É o acúmulo de sobrecarga, cobrança excessiva, falta de reconhecimento e ausência de pausas reais”, explica.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma síndrome ocupacional, o burnout é caracterizado por exaustão extrema, distanciamento emocional do trabalho e sensação de ineficácia profissional. No Brasil, o cenário se agravou após a pandemia, com a intensificação do trabalho remoto, jornadas extensas e dificuldade de desconexão.
Muitos sinais ainda são negligenciados, reforça psicóloga.
O alerta é claro: ignorar o burnout custa caro para o trabalhador, para as empresas e para o sistema de saúde. Nesse contexto, a campanha Janeiro Branco surge, mais uma vez, como um chamado coletivo para transformar a relação com o trabalho e com a própria saúde emocional ao longo de todo o ano.
“Cuidar da saúde mental não é luxo e nem fraqueza. É uma necessidade básica. Assim como planejamos o ano financeiro, precisamos planejar pausas, lazer, autocuidado e acompanhamento profissional quando necessário”, reforça a psicóloga. Para ela, os sinais, ainda que precoces não devem ser ignorados nunca. “Irritabilidade constante, insônia, lapsos de memória, dores físicas sem causa aparente e sensação de incapacidade são sintomas comuns, mas muitas pessoas normalizam esses sinais como ‘parte da rotina'”, alerta.
A campanha Janeiro Branco convida a sociedade a olhar para a saúde mental de forma preventiva, contínua e sem estigmas. Para a professora, o começo do ano é um momento estratégico para repensar hábitos e limites.
Ainda de acordo com a especialista, empresas e gestores têm papel central na prevenção do adoecimento mental. “Ambientes de trabalho saudáveis reduzem afastamentos, aumentam produtividade e preservam vidas. Promover escuta, metas realistas e respeito ao tempo humano é uma estratégia de saúde pública”, conclui.–


