O etarismo ainda é uma realidade no mercado de trabalho brasileiro, especialmente para profissionais com 40 anos ou mais. Apesar da experiência acumulada, muitos enfrentam dificuldades para se recolocar ou avançar na carreira. Ao mesmo tempo, cresce o número de trabalhadores maduros que têm apostado na requalificação profissional como estratégia para se manterem competitivos e acompanharem as transformações do mercado.
Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC), realizada em 2024, revela que 39% dos profissionais entre 40 e 55 anos pensam em mudar de carreira até 2026. Esse movimento já se reflete nos dados do IBGE: segundo a PNAD Contínua 2023, um em cada cinco trabalhadores com mais de 40 anos já atua em uma nova área profissional. O mercado, ainda que de forma gradual, começa a reconhecer esse potencial. O LinkedIn Opportunity Index 2024 aponta que 56% das empresas afirmam valorizar a experiência de profissionais maduros nos processos seletivos.
Mas para mudar é preciso sair da zona de conforto. Muitos profissionais 40+ têm adotado uma postura ativa e estratégica neste sentido buscando novas qualificações para se manterem competitivos, acompanharem as transformações do mercado e ampliarem suas possibilidades de crescimento ou promoção. Os cursos profissionalizantes surgem como aliados fundamentais nesse processo, conectando experiência prática a novos conhecimentos técnicos.
Formação que transforma
No Instituto Ramacrisna, essa realidade se traduz em histórias de superação, persistência e novos começos. Apenas no mês de janeiro deste ano, 141 alunos estão concluindo cursos profissionalizantes na instituição, muitos deles com mais de 40 anos e motivados pelo desejo de recomeçar ou avançar na carreira.
É o caso de Adnício dos Santos, de 46 anos, aluno do curso de Operador de Computador. Para ele, a formação representa muito mais do que uma atualização técnica. “O curso vai além da vontade de adquirir conhecimentos técnicos, é um antigo sonho que estou podendo realizar agora. Sempre quis fazer, mas as dificuldades que enfrentei na juventude não permitiam. Para mim, o curso simboliza um recomeço, a chance de ampliar meus horizontes, acompanhar as transformações do mercado de trabalho e provar que nunca é tarde para aprender, evoluir e sonhar com um futuro melhor”, relata.
Para outros alunos, a qualificação surge como uma estratégia clara de crescimento dentro da própria empresa. Leonardo Bruno, aluno do curso de Robótica Industrial, buscou a capacitação de forma visionária. Atualmente soldador, ele percebeu a movimentação da empresa para a aquisição de novos equipamentos e decidiu se antecipar. “Com essa mudança na empresa, entendi que precisava me preparar para novas oportunidades. O curso tem sido um divisor de águas. Não é fácil trabalhar o dia todo e vir direto para o Ramacrisna, abrindo mão de estar com minha filha e esposa em muitos momentos, mas sei que vai valer a pena. Estou investindo no meu futuro”, afirma.
Segundo Fabiano Campos, coordenador dos cursos profissionalizantes do Instituto Ramacrisna, a qualificação profissional tem um impacto que vai muito além da empregabilidade. “Os cursos profissionalizantes representam uma verdadeira mudança de vida para muitas pessoas. Para quem tem mais de 40 anos, eles significam retomada da autoestima, atualização profissional e novas perspectivas. Observamos que os alunos iniciam os cursos inseguros e concluem confiantes, acreditando novamente em seu próprio potencial. É uma transformação que impacta não só a carreira, mas a vida como um todo”, destaca.



