O Bloco Filhas de Clara apresenta no Carnaval de 2026 a maior mudança de formato desde sua criação. Pela primeira vez, o cortejo sai às ruas de Belo Horizonte com uma bateria própria, a Bateria Sabiá, formada por mais de cem mulheres ritmistas. Elas passam a conduzir o repertório dedicado à obra de Clara Nunes, encerrando simbolicamente o Carnaval da capital mineira no domingo pós-folia, 22 de fevereiro, com concentração às 13h30, na Avenida Clara Nunes, 88, no bairro Renascença.
A novidade dialoga diretamente com o tema escolhido para este ano, “Mulher, única e universal”. Depois de reverenciar o meio ambiente em 2025, o Filhas de Clara volta seu olhar em 2026 para a diversidade das mulheres e para a importância de reconhecer, ao mesmo tempo, suas demandas coletivas e suas individualidades.
“Mais do que um corpo musical, a bateria se apresenta como um retrato vivo da pluralidade feminina brasileira ocupando o espaço público com som, presença e significado”, explica Ayala Melgaço, diretora do Filhas de Clara. “A convivência com esse grupo tão diverso, formado por mulheres de diferentes idades, origens, ocupações, classes sociais, crenças e orientações sexuais, mostrou que nossa força se potencializa quando estamos juntas, sem apagar as individualidades.”
À frente do cortejo, três gerações do samba mineiro conduzem o repertório. Aline Calixto, Júlia Tizumba e Tia Elza constroem um diálogo musical que atravessa tempos e vivências, exigindo um encaixe preciso entre voz, arranjos e percussão. A direção musical é assinada pela violonista Bia Nascimento, responsável por reorganizar a estrutura sonora do bloco para integrar a força da bateria sem descaracterizar o repertório.
“Desde o início, o Filhas de Clara foi pensado como um projeto coletivo, mas a bateria muda tudo”, afirma Aline Calixto. “Ela transforma a forma como a música chega à rua e amplia o impacto do desfile.” A cantora explica que a criação da bateria sempre esteve nos planos do bloco, mas exigiu planejamento e um processo formativo contínuo: “A Bateria Sabiá nasceu de um chamamento público e, desde agosto, realiza encontros semanais voltados à construção técnica, musical e coletiva, preparando essas mulheres para estrear no Carnaval.”
O desfile mantém também sua ritualística tradicional. Antes da saída, o público participa do banho de manjericão, gesto simbólico que marca o início do cortejo como um momento de proteção, bênção e conexão espiritual. A prática segue os fundamentos da umbanda e integra a identidade do bloco desde seus primeiros anos, sendo aguardada com expectativa por quem acompanha o Filhas de Clara.
O Bloco Filhas de Clara conta este ano com o patrocínio da Prefeitura de Belo Horizonte por meio da Belotur.
Corda inclusiva garante acessibilidade no desfile
Reforçando o compromisso com a diversidade e o acolhimento, o Bloco Filhas de Clara contará novamente em 2026 com a corda inclusiva, iniciativa que garante um espaço seguro e mais confortável para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida acompanharem o desfile, acompanhadas de seus responsáveis. A ação permite que o público PCD viva o carnaval com mais autonomia, segurança e bem-estar durante o cortejo.
A corda inclusiva segue os mesmos princípios que orientam o bloco: cuidado coletivo, respeito às diferenças e acesso democrático à festa. “O carnaval só cumpre seu papel quando todas as pessoas podem ocupar a rua com segurança e dignidade. A corda inclusiva é uma maneira prática de transformar o discurso de diversidade em experiência real dentro da festa”, afirma Ayala Melgaço.
O credenciamento é gratuito, feito previamente de forma online, e as inscrições já estão abertas pelo link: https://bit.ly/cordainclusiva2026clara



