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Team building vira “moeda forte” nas empresas e BH já troca sala de reunião por experiências imersivas

Se o mundo corporativo passou anos tentando criar “conexão” em reuniões infinitas, uma virada silenciosa começa a aparecer no mercado. A conexão real tem voltado a acontecer no exato momento em que o encontro deixou de ser protocolo e tem se traduzido em experiência. Em vez de palestras formais e dinâmicas previsíveis, empresas têm buscado formatos de Team Building que coloquem as pessoas para viver, decidir, criar e, sobretudo, agir juntas.

Não é só sensação. Em meio à retomada e reconfiguração do setor de encontros e experiências, o mercado de eventos mostra fôlego e apetite por formatos mais personalizados. No Brasil, a ABRAPE registrou crescimento do PIB do setor de eventos de cultura e entretenimento no acumulado de 12 meses e acima da média nacional, sinalizando um ambiente favorável para novas propostas e produtos de relacionamento.

Para Tony Valadares, idealizador do espaço TÔNICA e produtor de eventos e experiências corporativas, o crescimento do setor abre espaço para um formato que tem sido cada vez mais valorizado por áreas de RH, cultura e liderança: encontros personalizados e com propósito claro, onde o time participa e não só assiste.

“Depois de anos de excesso de reuniões e workshops mais rígidos, as empresas perceberam que conexão não se decreta, se constrói. E o Team Building é uma forma inteligente de construir isso, porque coloca as pessoas em situação real de colaboração, com mais leveza e mais verdade”, comenta.

Desenvolvimento de equipes virou sinônimo de experiência (e não mais palestra)

O conceito de Team Building não é novo. Trata-se de uma metodologia de atividades voltadas a melhorar integração, colaboração e clima entre colegas. Estudos e abordagens de gestão organizacional destacam justamente esse papel de favorecer confiança, engajamento e reduzir ruídos entre áreas.

O que mudou de verdade, agora, é o formato. De acordo com Tony, atualmente, o Team Building deixou de ser “ação pontual” ou “brincadeira de RH” e virou uma experiência com narrativa, com roteiro, curadoria, estética, pressão real (ainda que lúdica) e consequências emocionais positivas. Em outras palavras, em vez de falar sobre colaboração, você coloca o time em um cenário onde colaborar é a única forma de dar certo. E competir, ainda que de forma divertida, impulsiona! 

“A grande virada é que as pessoas param de ‘interpretar’ um papel corporativo e começam a agir como equipe de verdade. Quando a dinâmica é bem desenhada, ninguém precisa forçar a participação, o próprio contexto puxa”, explica Tony Valadares.

O que muda quando o time cozinha junto

Nesse cenário, os espaços de hospitalidade personalizados entram no jogo como palco de desenvolvimento. E quando o ambiente trabalha com sabor, tudo fica mais fluido. Tony explica que, na prática, a gastronomia funciona como um “simulador” corporativo, onde o tempo é curto, os recursos são mais limitados, decisões acontecem sob pressão, existe necessidade de liderança e alinhamento. Em vez de discutir valores e comportamento, um grupo é desafiado a construir algo concreto e defendê-lo.

Além do resultado no prato, o ganho de se realizar um Team Building envolvendo gastronomia aparece no processo: divisão inteligente de tarefas, negociação de prioridades, escuta ativa, ajuste de rota, gestão de conflitos e visão de entrega. É um treino de cultura organizacional em tempo real, que faz o time “aprender sem perceber” e trabalha a memória afetiva coletiva, um bônus raro em treinamentos tradicionais.

“Tem gente que chega achando que é só cozinhar. No entanto, quando a dinâmica começa, fica claro que é sobre liderança, tomada de decisão, comunicação e estratégia. Tudo na vida real, com esse ingrediente a mais da experiência que vira memória”, diz Tony.

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Foto – Isa Cunha

Por quê BH se “encaixa” nessa tendência

Globalmente, encontros presenciais seguem relevantes quando o objetivo é relacionamento e construção de confiança, e os números do setor refletem isso. Dados da DataEventos, ferramenta de inteligência de mercado, indicam que o número de eventos corporativos realizados entre janeiro e dezembro de 2025 cresceu 19,98% em relação ao mesmo período de 2024. Outro levantamento de referência sobre a indústria aponta que eventos de negócios envolveram cerca de 1,6 bilhão de participantes no mundo, reforçando o peso desse universo.

Em BH, Tony comenta que há um componente cultural forte para alavancar essa tendência: “A cidade que aprendeu a se reunir em torno da mesa e está, agora, transformando esse hábito em ativo corporativo. Já está no DNA do belo-horizontino, ele só está levando isso de maneira mais sistematizada para o contexto corporativo”, conta.

A geografia também ajuda. Bairros tradicionalmente conhecidos como polos de gastronomia e experiências, como Lourdes, estão espalhados pela cidade, com um ecossistema que favorece formatos de encontro mais autorais e sofisticados. Para o proprietário do Tônica, no fim, o que as empresas buscam hoje é simples de entender, mas um pouco mais difícil de executar: um lugar onde as pessoas se sintam bem o suficiente para se conectar e produtivas o suficiente para avançar.

“Belo Horizonte tem uma vantagem competitiva para abraçar o Team Building já que aqui, encontro não é obrigação, é linguagem. Quando você coloca propósito e uma experiência bem construída, a conversa flui e os vínculos se aceleram”, observa Tony.

O “case” do TÔNICA: Team Building gastronômico com curadoria, estética e objetivo claro

Inaugurado em 2024 no coração de Lourdes, o TÔNICA Ateliê Gastronômico nasceu da expansão da operação do Cozinha do Tony (produtora de eventos desde 2020) e se posiciona como um espaço premium para experiências e eventos sob medida, com capacidade para 10 a 100 pessoas, em formatos que vão de jantares super exclusivos, mini wedding a aulas e encontros corporativos.

O Team Building virou um dos produtos mais procurados dentro da casa justamente por traduzir “desenvolvimento” em algo concreto. Tony conta que um exemplo recente foi uma dinâmica com 60 colaboradores de um grande grupo da indústria automobilística (Stellantis). Divididos em equipes, os participantes precisaram cozinhar um risoto autoral, batizar e “posicionar” o prato como produto, precificar a criação e ainda montar uma harmonização de vinhos, a partir de uma breve aula teórica conduzida pelo proprietário. Ao final, tudo é avaliado por ele e sua equipe e a pontuação aponta o time vencedor, que recebe algo de brinde.

“Quando você coloca um time para criar um prato, dar nome, defender uma ideia e harmonizar com vinho… você está trabalhando colaboração, liderança, criatividade, marketing, comercial, comunicação e estratégia sem o peso de uma sala de treinamento. O resultado é que as pessoas saem mais próximas e a empresa colhe isso no dia seguinte”, diz Tony.

Uma das chaves, segundo ele, é o fechamento do evento. Toda dinâmica termina com uma devolutiva que traduz a vivência em aprendizado aplicável. Não com moralismo, mas com leitura de comportamento. É ali que o time percebe, com clareza, onde brilhou, onde travou e como pode ajustar o jeito de trabalhar junto.

O empreendedor detecta também que uma boa versatilidade e estrutura do espaço, como acontece no TÔNICA,  contribui para o efeito que o Team Building se propõe. Cozinha-show, ambientes moduláveis em ilhas de cozimento para grupos e a possibilidade de curadoria completa (menu, harmonizações e condução da dinâmica), por exemplo, permitem adaptar o roteiro ao objetivo da empresa.

“O prato é só a ponta. O que importa é o que a equipe faz quando algo dá errado, quando alguém assume a liderança, quando surge conflito. Nosso papel é criar um ambiente seguro para testar isso e depois transformar em leitura prática”, completa.

Por quê Team Building virou tendência e onde isso pode chegar 

A leitura de Tony sobre o assunto é bem direta. Ele afirma que as empresas estão cansadas de ações “que parecem obrigação”. Querem experiências que entreguem, ao mesmo tempo, resultado humano (time mais coeso) e resultado simbólico (uma lembrança que vira cultura interna).

A tendência é que dinâmicas imersivas, especialmente as que unem hospitalidade, conteúdo e relacionamento, ganhem espaço no calendário corporativo em momentos-chave, como integração de times, reestruturações, planejamento, onboarding de lideranças, celebração de metas e ações de cultura.

“Team building bom não termina quando acaba o evento. Ele continua no jeito que as pessoas voltam a se falar, a decidir e a confiar”, resume Tony.

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