Trabalhar todos os dias no lixão municipal em Ijaci (MG), em condições insalubres, sob sol e chuva. Essa era a realidade de dezenas de mulheres, como Sueli Medeiros e Elisa Salgado, até a criação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Camare), em 2008.
A Camare é uma cooperativa majoritariamente feminina. Lá, as cooperadas se revezam entre a coleta seletiva do lixo na cidade e o trabalho no galpão, onde acontece a separação dos materiais recicláveis por categorias e cores: plásticos, vidros, borracha e outros itens. Esses materiais são prensados e vendidos para empresas da região, garantindo o sustento das mulheres e de suas famílias.
Porém, as catadoras vão além e também separam itens que não são recicláveis, como pedaços de móveis, roupas, colchões e embalagens laminadas. E é aqui que entra a parceria com a InterCement Brasil. Além de contribuir com o fornecimento do maquinário usado para separar e prensar o lixo, e apoiar continuamente as melhorias de infraestrutura no galpão, a empresa compra todo esse rejeito da reciclagem para utilizar na unidade fabril de Ijaci.
Só em 2025, a Camare forneceu mais de 74 mil toneladas de resíduos à InterCement Brasil. “Esse material, que antes era descartado em aterros sanitários e lixões, passou a ser utilizado como energia alternativa na fábrica de Ijaci por meio do coprocessamento, prática que substitui o uso de combustíveis fósseis nos fornos por biomassas e outros resíduos”, destaca Rafael Fenerich Mauri, gerente de Coprocessamento da cimenteira.
A parceria também envolve a capacitação profissional das cooperadas e apoio estrutural para o funcionamento da Camare. “No lixão, não tínhamos expectativa de crescimento. Depois do início das atividades da cooperativa, a chegada da InterCement Brasil trouxe máquinas e equipamentos que fizeram muita diferença para a gente”, conta Sueli Medeiros, que trabalha há 14 anos com a Camare. Segundo ela, muita gente se surpreende quando visita o galpão de recicláveis e encontra apenas mulheres na operação. “Perguntam se somos nós que fazemos os fardos, porque são muito pesados. Reciclagem não é um serviço muito leve, mas somos corajosas”, sintetiza, cheia de orgulho.
O sentimento é partilhado por Elisa Salgado, que hoje cria a neta com o valor recebido na cooperativa. “Minha neta ia para uma casa de passagem. Mas como o juiz sabia que eu estava trabalhando e ganhava salário, ele me deu a oportunidade de ficar com ela”, conta. Na Camare, melhorou sua autoestima e encontrou a independência financeira. “Eu sou o homem e a mulher dentro de casa, não dependo de ninguém, e quando eu quero, eu corro atrás”, disse.
Além de apoiar a preservação do meio ambiente a partir da destinação correta de resíduos, a parceria entre a Camare e a InterCement Brasil também incentiva o protagonismo feminino. “É um projeto voltado para mulheres, administrado por mulheres e negociado por mulheres, ali só tem mulheres muito fortes”, diz Luís Barreto, especialista em Meio Ambiente da companhia. “Fazer parte de um projeto que tem as mulheres como grandes protagonistas do negócio, não tem preço. É uma honra”, completa o gerente de Coprocessamento, Rafael Mauri.



