A partir do dia 19 de março, quinta-feira, a ELENA – Escola de Narração Artística (a primeira do Brasil) – promove programação para celebrar o dia internacional do contador de histórias. Idealizada pelo Instituto Abra Palavra, serão ao todo três rodas de conversa gratuitas, com a participação de mestres da cultura popular, pesquisadores, artistas e narradores para debater sobre a força das tradições orais mineiras e seus diálogos com o presente. As ações acontecem no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, no Instituto Abra Palavra – onde funciona a ELENA – e também na Livraria do Belas Artes. O acesso é gratuito. Mais informações sobre a programação no instagram: @elena.escolalivre e @institutoabrapalavra.
“Nesta edição, decidimos estender para além da ELENA, com a intenção de celebrar, partilhar e expandir a narração artística para outros equipamentos do Circuito Liberdade, que acolheram e apoiaram a iniciativa. Ao ocupar diferentes espaços culturais da cidade, a Semana do Contador de Histórias reafirma a oralidade como patrimônio vivo, fortalecendo redes, ampliando públicos e promovendo o encontro entre tradição e contemporaneidade”, comenta a gestora cultural e contadora de histórias Aline Cântia, fundadora do Instituto Abra Palavra – primeiro pontão de literatura brasileiro que se dedica a fomentar a literatura e a leitura, através de práticas e iniciativas, entre elas, a Elena – Escola de Narração Artística, com diversos cursos gratuitos no segmento.
Dia do Contador de Histórias
O Dia Internacional do Contador de Histórias é comemorado no dia 20 de março, desde o ano de 1991, quando foi criado na Suécia, no intuito de promover a arte de contar histórias em todo o mundo. Em Belo Horizonte, o Instituto Abra Palavra já realizou três edições nos anos de 2023, 2024 e 2025 e, agora, se prepara para a 4ª edição do evento. “A arte de contar histórias é uma prática milenar que vem, ao longo dos séculos, mantendo viva a cultura, a memória e as tradições dos diferentes povos e, ao mesmo tempo se firmando, cada vez mais, como linguagem artística contemporânea”, diz Aline Cântia.
Programação – Dia Nacional do Contador de Histórias
No dia 19 de março, quinta-feira, às 19h, no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal (Praça da Liberdade, 680), acontece a roda de conversa “Encontro com Mestres da Cultura Oral”, com apoio institucional do Museu. O encontro promove um diálogo com griôs, contadores de histórias e guardiões das tradições orais mineiras, abordando a interseção entre narração oral, música e manifestações como Congado, Folia de Reis e Catopês, além de refletir sobre estratégias para manter viva a tradição oral na era digital. A mediação será de Babilak Bah, com a participação de Chica Reis e Cristiane Moreira.
Na sexta-feira, 20 de março, às 19h, a programação segue na ELENA (próximo à praça da Liberdade / Funcionários) com a roda de conversa “Causos, Lendas, Narrativas Ancestrais e os Narradores de Histórias”. O debate destaca o papel dos contadores de causos e mestres da cultura oral mineira, percorre lendas tradicionais e outras narrativas populares, além de discutir as lendas compiladas em livros e presentes nas bibliotecas. A mediação será de Bárbara Amaral, com a presença de Rodrigo Teixeira e Sandra Lane. Às 20h30, acontece uma grande Roda de Histórias com alunos da ELENA, convidando participantes e público a ouvir e compartilhar histórias em celebração ao Dia do Contador de Histórias.
No sábado, 21 de março, às 15h, na Livraria Belas Artes (Lourdes), parceira da iniciativa, será realizada a roda de conversa “Oralidade Mineira como Patrimônio Cultural“. O encontro aborda conceitos e diretrizes sobre patrimônio imaterial na cultura mineira, estratégias de registro e salvaguarda das tradições orais em Minas Gerais e a memória coletiva presente nas narrativas dos sertões, montanhas e vilarejos. A mediação será de Andressa Gonçalves, com a participação de Rosália Diogo e Steffane Santos. Às 20h, no mesmo local, acontece a roda de conversa “Convergências entre Sarau, Slam e Narração Artística”, com Nívea Sabino e Samuel Medina, sob mediação de Rogério Coelho, propondo um diálogo entre diferentes linguagens da palavra falada e performada.
Sobre ELENA – 1ª Escola Livre de Estudos da Narração Artística
Um dos grandes desafios hoje, segundo Aline Cântia, “é promover a valorização e o reconhecimento da narração de histórias como linguagem artística tanto para o setor cultural quanto para a sociedade em geral. A Elena – Escola Livre de Estudos da Narração Artística nasce desse desejo de trazer ainda mais debates e circular conhecimento para os profissionais que atuam no segmento de narração, mas não só: a todos aqueles que se interessam pela potência da palavra performada e narrada seja pelo texto ou pela oralidade”, afirma a coordenadora da Escola e fundadora do Abra Palavra.
Viabilizada a partir do projeto aprovado no Edital Olhos D’Agua do Ministério da Cultura, feito via SEFLI (Secretaria de Formação, Livro e Literatura), que selecionou 70 projetos em todo o Brasil a ELENA começou a atuar desde novembro do ano passado promovendo cursos presenciais (e um online) de média e curta duração, além de oficinas e rodas de conversas. Ao todo neste edital 60 organizações recebem o valor de R$250 mil e 10 organizações, o valor de R$500 mil, para desenvolver atividades formativas em diferentes linguagens artísticas, culturais e áreas técnicas, pelo período de um ano.
Instituto Abra Palavra
O Instituto Cultural AbraPalavra existe desde 2011 e em 2023 foi selecionado em Edital do MinC como único Pontão Nacional de Minas Gerais e o único Pontão Nacional do Brasil dedicado ao tema de livro, leitura e literatura. Este edital selecionou 42 projetos em todo o país, repassando recursos para a execução de ações culturais ao longo de 12 meses. As iniciativas abrangem diversas áreas, como cultura popular, patrimônio cultural, e artes visuais, com o nosso projeto focado na literatura.
“Ser um Pontão de Cultura hoje no Brasil representa um compromisso com a construção da democracia, da cidadania e da participação social. A Política Nacional Cultura Viva, sendo uma política de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura, está intrinsecamente ligada a esses valores. Conseguir esse edital reforça o compromisso do Instituto Abra Palavra com o livro, a leitura, a literatura e com as premissas fundamentais da democracia e da participação social”, contextualiza Aline Cântia.


