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Mulheres lideram novas frentes de inovação na silvicultura e engenharia industrial

Na siderurgia, ganhos aparentemente pequenos podem gerar impactos gigantescos. Reduzir a espessura de um aço elétrico em apenas 0,03 milímetros, por exemplo, pode aumentar em até 10% sua eficiência energética. No Centro de Pesquisa da Aperam, em Timóteo (MG), milímetros são convertidos em energia. 

A engenheira metalurgista Luana Araújo Batista trabalha no desenvolvimento de aços elétricos de grão orientado (GO), fundamentais para transformadores, geradores e reatores utilizados na geração e distribuição de energia. Sua pesquisa engloba o desenvolvimento de revestimentos e o aprimoramento das propriedades superficiais e magnéticas desses aços. O objetivo é reduzir as perdas magnéticas e aumentar a eficiência energética, garantindo que a eletricidade gerada chegue ao destino final com o mínimo de dissipação.

Segundo a pesquisadora, pequenas mudanças na estrutura do material podem gerar ganhos expressivos. “Quando reduzimos a espessura de um aço GO de 0,30 mm para 0,27 mm, uma diferença de apenas 0,03 milímetros, conseguimos cerca de 10% de ganho em eficiência energética do aço”, enfatiza. Em transformadores de grande porte que operam 24 horas por dia, essa melhoria representa economia significativa de energia ao longo de décadas de operação.

“Produzir aços GO de baixíssima perda é um desafio que exige anos de pesquisa, desenvolvimento e domínio de processos metalúrgicos”, salienta Luana, que é doutora em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os avanços obtidos a partir do trabalho conjunto das áreas técnica e de operação permitiram ampliar a produção de materiais de maior valor agregado, com desempenho magnético superior para aplicações cada vez mais exigentes. A parceria também trouxe ganhos operacionais, como aumento de velocidade em linhas de produção e maior disponibilidade de material com qualidade magnética e superficial aprimorada.

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“Produzir aços GO de baixíssima perda energética é um desafio que exige anos de pesquisa”, explica Luana – Elvira Nascimento

Mulheres na agroindústria

Com cinco anos de atuação no Centro de Pesquisa da Aperam, Luana também observa uma transformação gradual na presença feminina em áreas científicas. Hoje, cerca de 30% dos profissionais do Centro de Pesquisa de Timóteo são mulheres. “Cada vez mais vemos mulheres ocupando posições que historicamente foram consideradas masculinas dentro da indústria. Quando passamos a ocupar esses espaços, abrimos caminho para que outras cheguem ainda mais longe”, acredita.

A  ampliação da participação feminina também se reflete no quadro geral da Aperam. Entre 2020 e 2026, o número de colaboradoras da Aperam cresceu 390%, passando de 249 para 972 profissionais. No mesmo período, a presença de mulheres exercendo liderança aumentou cerca de 330%, de 21 para 71. O avanço é ainda mais expressivo na operação. Em 2020, eram 89 mulheres nessas posições. Atualmente, são 702 – um crescimento superior a 700%.

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A tese de doutorado de Rosália contribuiu para aumentar o enraizamento em até 50%, ampliando de forma significativa o aproveitamento final na produção de mudas – Divulgação/Aperam BioEnergia

Pesquisa florestal com protagonismo feminino

A inovação que sustenta a siderurgia começa no campo. No Vale do Jequitinhonha (MG), onde estão as operações florestais da Aperam BioEnergia, a engenheira florestal Rosália Nazareth Rosa Trindade lidera a rede experimental, conduzindo pesquisas em manejo integrado de pragas e atividades de melhoramento genético para aumentar a produtividade das florestas.

Sua tese de doutorado, concluída em 2024 e desenvolvida em parceria com a empresa, investigou técnicas voltadas à melhoria do enraizamento de clones recalcitrantes – materiais que apresentam maior dificuldade na propagação vegetativa. Os resultados foram expressivos: o índice de enraizamento registrou aumento de até 50%, ampliando de forma significativa o aproveitamento final na produção de mudas.

“Mantemos um minijardim clonal que fornece miniestacas. Elas são colocadas em tubetes com substrato e seguem para ambientes controlados, onde desenvolvem raízes e dão origem a novas plantas”, explica Rosália, que é doutora em Produção Vegetal pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Hoje, os viveiros da Aperam BioEnergia têm capacidade para produzir cerca de 85 milhões de mudas por ano. Em 2025, o clone AEC 0144, desenvolvido pelo programa de melhoramento genético da empresa, se tornou o mais plantado no Brasil, resultado de programas voltados à produtividade, resistência a pragas e adaptação climática.

Controle biológico

Outra frente relevante da inovação agroflorestal envolve justamente o controle biológico de pragas. Em 2025, a operação registrou zero aplicação de inseticidas químicos no combate ao psilídeo-de-concha, praga que afeta plantações de eucalipto.

Segundo Rosália, o controle biológico está associado à própria trajetória do eucalipto no Brasil. “Com a introdução dessa espécie, originária da Austrália, algumas pragas exóticas também passaram a ocorrer no país, como o psilídeo-de-concha. O manejo utiliza inimigos naturais desses insetos para regular sua população nas florestas”, detalha a pesquisadora.

Produtos químicos permanecem previstos como ferramenta complementar, quando necessários e sempre dentro das normas ambientais e das certificações internacionais. A estratégia, no entanto, é priorizar soluções biológicas e o manejo integrado de pragas – abordagem que vem ganhando cada vez mais espaço na silvicultura de eucalipto.

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