O crescimento gradual dos casos de meningite bacteriana no Brasil reacende o alerta entre profissionais de saúde no país. Um dos principais desafios no enfrentamento da doença está na diversidade de sorogrupos da bactéria, a Neisseria meningitidis. Diferentes cepas circulam simultaneamente, o que exige estratégias de imunização complementares para garantir proteção mais ampla.
Em razão do cenário, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a ampliação da cobertura vacinal por meio da combinação de duas vacinas: a Meningite ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y, e a Meningite B, voltada especificamente ao sorogrupo B – responsável por cerca de 60% dos casos no Brasil a partir de 2023, segundo o Ministério da Saúde. A recomendação também é respaldada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
De acordo com o último Informe Meningite do Ministério da Saúde, publicado em novembro de 2025, o Brasil registrou 11.937 casos suspeitos da doença no primeiro semestre do ano. Desses, 6.169 foram confirmados, com 781 óbitos associados. Embora os dados ainda estejam em processo de consolidação, os números já reforçam o alerta das autoridades de saúde para a importância da vacinação.
Segundo especialistas, a proteção combinada é hoje a forma mais abrangente de prevenção contra a doença meningocócica. “A evolução da ciência nos trouxe vacinas que, juntas, conseguem cobrir os principais sorotipos responsáveis pelas meningites bacterianas. Quando orientamos uma família sobre o calendário vacinal completo, estamos falando exatamente dessa combinação. Uma complementa a outra, e é dessa forma que conseguimos falar em proteção ampla”, explica Isabel Dias, gerente técnica da Araujo.
Público prioritário e orientação individualizada
A indicação vale para diferentes faixas etárias. Lactentes, crianças e adolescentes estão entre os públicos para os quais a imunização combinada é especialmente recomendada, tanto pela SBIm quanto pela SBP. O calendário vacinal, no entanto, deve sempre ser avaliado individualmente com um profissional de saúde, que vai considerar o histórico de cada paciente e o momento ideal para cada dose.
Isabel Dias reforça a importância de não postergar a conversa sobre imunização. “Muitas famílias não sabem que existem vacinas específicas para sorotipos diferentes da meningite. Quando chegam até nós, percebemos que há uma lacuna de informação importante. Nosso papel, além de disponibilizar os imunizantes, é orientar com clareza para que todos possam tomar decisões conscientes sobre a saúde dos familiares”, explica.



