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Crise silenciosa da mão de obra pressiona preço de imóveis, alerta CEO do Grupo Katz

A falta de profissionais experientes na construção civil está se tornando um desafio crescente, e os consumidores começam a sentir o impacto no bolso. É o que aponta Daniel Katz, CEO do Grupo Katz, ao analisar o setor em meio à escassez de mão de obra e à resistência de jovens a trabalhar em canteiros de obras.

Segundo Katz, o envelhecimento da força de trabalho e o desinteresse das novas gerações pelo trabalho manual têm elevado o custo de contratação, refletindo diretamente no preço das unidades residenciais. “Estamos vivendo uma crise silenciosa na construção civil. Há demanda, há investimento, mas falta gente capacitada para executar o trabalho com qualidade e segurança. E quem paga por isso é o consumidor final”, afirma o executivo.

Dados econômicos reforçam esse quadro. O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC‑M), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) no início desde ano, mostrou que os custos de construção registraram variação acumulada de cerca de 6,01% em 12 meses até janeiro, com destaque para o avanço do grupo mão de obra no início do ano – um indicador que capta a evolução dos preços de materiais e de trabalho no setor.  

No mercado imobiliário, indicadores como o Índice FipeZAP também mostram valorização significativa dos imóveis. Segundo dados consolidados ao final de 2025, o preço médio de venda de imóveis residenciais no Brasil fechou o ano com alta acumulada de 6,52%, a segunda maior variação dos últimos 11 anos, apesar dos juros elevados na economia. 

A combinação de custos mais altos de mão de obra, oferta restrita em grandes centros urbanos e demanda ainda aquecida contribui para manter o preço dos imóveis acima da inflação, mostram os indicadores de mercado. Isso faz com que fatores como escassez de profissionais e custos cada vez maiores de construção ganhem peso na equação que determina o valor final das unidades.

O setor tem buscado alternativas para compensar a escassez de profissionais, como a industrialização de processos e métodos de construção alternativos, que reduzem a dependência do trabalho manual e ajudam a manter cronogramas sem onerar ainda mais o preço dos imóveis.

Além disso, o Grupo Katz vem investindo em inovação tecnológica. Por meio da Cosmos 3D, empresa do grupo dedicada à construção em impressão 3D, a companhia avança no desenvolvimento de soluções pioneiras no país. Diferente do método tradicional, uma obra executada com tecnologia de impressão 3D pode ser realizada com apenas duas pessoas, aumentando a produtividade e reduzindo a necessidade de mão de obra tradicional. Embora essa tecnologia ainda seja complementar, Katz vê nela um caminho estratégico de médio prazo para o setor.

Para o CEO, o futuro da construção passa por modernização dos processos, incentivo à formação profissional e planejamento estratégico de equipes, com foco em eficiência e sustentabilidade. “Se conseguirmos equilibrar essas frentes, conseguimos reduzir o impacto sobre o consumidor, manter a qualidade e preparar o setor para os próximos anos”, conclui.

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