De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG e aplicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) em Belo Horizonte, o nível de endividamento das famílias em fevereiro subiu 1,2 ponto percentual atingindo 90,2%. O percentual de famílias com contas em atraso recuou -0,1 ponto em fevereiro chegando em 64,6%.
As famílias com renda abaixo de 10 salários-mínimos superam as de renda mais alta em relação à inadimplência, com 67,0% delas nesta condição. Já 50,3% daquelas com renda acima de 10 salários estão com algum compromisso financeiro em atraso. Considerando apenas as famílias endividadas, 71,6% admitem que não conseguiram honrar seus compromissos e estão com dívidas em atraso.
Conforme 27,0% das famílias da capital, elas não terão condições de pagar as dívidas em atraso – valor inferior ao observado no mês anterior (28,6%). Esse índice é maior em famílias com renda igual ou inferior a dez salários-mínimos (29,0%) em comparação com as de maior salário (15,9%). Considerando apenas as famílias que já possuem contas em atraso, 41,7% dizem que não terão condições de honrar com os compromissos financeiros no próximo mês.
Segundo a pesquisa, 40,5% dos entrevistados se consideravam pouco endividados no segundo mês do ano. Em janeiro, os que se diziam pouco endividados somavam 39%.
Em fevereiro, o principal compromisso financeiro para 95,6% das famílias continuou sendo o cartão de crédito, redução de 0,7 p.p. na comparação com janeiro. Famílias de renda igual ou maior que 10 salários-mínimos são as que mais concentram dívidas no cartão: 98,8%.
Entre as famílias com contas atrasadas, 47,3% dizem que essas contas ultrapassam 90 dias de vencidas. A PEIC de fevereiro também mostra que as dívidas estão atrasadas, em média, há 62,2 dias. De acordo com 73,2% das famílias, os compromissos financeiros se estendem por período igual ou superior a 90 dias. O tempo médio de comprometimento da renda é de 8,3 meses.
Em 85,6% dos casos, as dívidas comprometem mais de 10% da renda familiar, mas em 29,0% deles, as dívidas envolvem mais de 50% do orçamento mensal. Segundo a pesquisa, em média, as dívidas comprometem 33,2% do orçamento do mês.
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, explica que o avanço do endividamento em fevereiro reflete, em grande parte, o uso do crédito pelas famílias para manter o consumo e reorganizar o orçamento após as despesas concentradas no início do ano. “Apesar do leve recuo na inadimplência, o patamar ainda é bastante elevado e revela que muitas famílias seguem com dificuldades para equilibrar as finanças. O alto comprometimento da renda com dívidas, aliado ao uso predominante do cartão de crédito, indica que parte dos consumidores tem recorrido ao parcelamento como forma de administrar o fluxo de pagamentos. Esse movimento ajuda a sustentar o consumo no curto prazo, mas também exige cautela, principalmente para não ocorrer o atraso do pagamento dos compromissos financeiros, o que pode limitar o acesso ao crédito e ao consumo”, descreve Martins.


