O Teatro em Movimento abre as comemorações de seus 25 anos com uma programação extensa que reafirma sua trajetória na democratização do acesso à cultura e na descentralização das artes cênicas em Minas Gerais. Ao longo de 2026, o projeto realiza apresentações em Belo Horizonte — incluindo ocupações em praças públicas —, além de cidades como Contagem, Mariana, Juiz de Fora, Uberaba, Itabira, Araxá e Uberlândia. Com mais de 445 mil espectadores ao longo de sua história, cerca de 305 espetáculos apresentados e atuação em mais de 15 cidades, a iniciativa idealizada por Tatyana Rubim consolidou-se como uma das mais relevantes plataformas de circulação teatral do país.
A programação comemorativa reúne nomes de destaque e títulos consagrados, priorizando diversidade, acesso e formação de público, com atrações já confirmadas como O Céu da Língua, com Gregorio Duvivier; Olhos nos Olhos, com Ana Lúcia Torre; O Motociclista no Globo da Morte, com Eduardo Moscovis; Mudando de Pele, com Taís Araújo; Homem com H, com Silvero Pereira; Marrom – O Musical; Amar e Mudar as Coisas, com Marisa Orth, Buhr e Taciana Barros; O Figurante, com Mateus Solano; O Enclausurado, com Maeve Jinkings; além dos infantis MPBaixinhos, A Guitarra Mágica, Encontro de Vilões e Bluey. Ao longo de sua trajetória, o projeto mantém o patrocínio contínuo do Instituto Unimed-BH, além de parcerias de longa data com Itaú e Vale, fundamentais para a consolidação e expansão de suas ações.
A abertura das comemorações acontece com o retorno do espetáculo O Céu da Língua, sucesso de público que volta a Belo Horizonte após sessões esgotadas em 2025 e já abre a nova temporada com alta procura, incluindo a abertura de sessões extras, de 22 a 24 de abril. “Celebrar 25 anos é reafirmar um compromisso com o público e com a potência transformadora do teatro. Queremos ocupar cada vez mais territórios, formar novas plateias e garantir que grandes repertórios cheguem a mais pessoas, em diferentes contextos e espaços”, destaca Tatyana Rubim.
Céu da Língua abre programação do Teatro em Movimento em 2026
A abertura da temporada comemorativa do Teatro Em Movimento acontece com o retorno a Belo Horizonte do espetáculo “O Céu da Língua”, uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no cotidiano, estrelada por Gregorio Duvivier. Dirigido por Luciana Paes, montagem já levou 218 mil espectadores ao teatro, percorreu 33 cidades brasileiras e, atualmente, faz turnê por 12 cidades na Europa. Após o grande sucesso de público registrado em 2025 dentro da programação do projeto, a peça será apresentada de 22 a 24 de abril, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, marcando o início das celebrações deste que um dos projetos culturais mais longevos e relevantes do país na circulação de espetáculos teatrais.
Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido.
O espetáculo estreou em Portugal em 2024, chegou no Brasil em fevereiro de 2025, onde cumpriu uma extensa turnê que já acumula cerca de 218 mil espectadores em 33 cidades do Brasil e atualmente faz turnê por 12 cidades na Europa, sempre com sessões extras e lotação esgotada. O trabalho rendeu a Gregorio o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi Ferreira.
“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.
A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio nos improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora. “Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.
“O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declama Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregorio não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define.
“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”
Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista, por exemplo, brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados.
As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregorio extrai humor.
Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregorio chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citados em “O Céu da Língua” através das canções “Chão de Estrelas” (1937) e “Livros” (1997). “Os nossos compositores conseguiram realizar o sonho de Oswald de Andrade de levar poesia para as massas”, festeja o ator.
Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.
Ingressos pelo link: https://bileto.sympla.com.br/event/117663/d/372074


