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Comércio registra Páscoa estável com consumidor mais cauteloso

A Páscoa de 2026 manteve o comércio em movimento, mas com desempenho mais equilibrado e distante de euforias. Levantamento do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, realizado em Belo Horizonte entre 6 e 9 de abril, mostra que 69,4% das empresas registraram resultados iguais ou superiores aos do ano anterior. O dado revela resiliência, mesmo diante de um consumidor mais cauteloso.

O levantamento, feito com 130 empresas do varejo alimentício, confirma o peso da data para segmentos como supermercados, padarias e lojas de doces. Os tradicionais ovos de Páscoa seguem como principal motor de vendas, impulsionados por novidades e apelo ao público jovem. Ainda assim, o ritmo foi moderado. Para 44,4% dos empresários, o faturamento ficou estável em relação a 2025. Outros 25% relataram crescimento, enquanto 30,6% apontaram queda. Entre os que venderam mais, a alta foi contida. Em 51,6% dos casos, o avanço ficou entre 10% e 20%. Já entre os que tiveram retração, 42,1% indicaram perdas na mesma faixa.

O comportamento indica um mercado sem grandes oscilações, com ganhos e perdas distribuídos de forma homogênea. A economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, avalia que o resultado reflete um consumidor mais seletivo. “A Páscoa continua sendo uma data relevante, mas o cenário atual exige planejamento. O consumidor pesquisa mais, compara preços e ajusta o consumo ao orçamento”, afirma. Apesar do desempenho relativamente positivo, a percepção dos empresários ainda é dividida. Apenas 47,6% disseram que as vendas atenderam às expectativas. A maioria, 52,4%, afirmou que o resultado ficou abaixo do esperado. Para Fernanda Gonçalves, o dado reforça um ponto de atenção. “Mesmo com indicadores que mostram estabilidade, existe uma frustração em parte do comércio. Isso sugere que as expectativas estavam mais altas do que o mercado conseguiu entregar”, diz.

O levantamento também destaca que todas as empresas entrevistadas realizaram ações específicas para a data, como promoções e reforço de estoque. A estratégia foi essencial para sustentar o desempenho, ainda que sem gerar avanços expressivos.

O cenário da Páscoa de 2026 em Belo Horizonte, portanto, combina estabilidade com cautela. O consumo acontece, mas com limites claros. O varejo responde com estratégia, mas enfrenta um cliente mais racional.

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