Durante muito tempo, cuidar da saúde no trabalho significou correr atrás do prejuízo. O cuidado só aparecia quando o afastamento era inevitável. A lei federal 15.377/2026, sancionada recentemente, chega para inverter esse compasso. Ao alterar a CLT, a norma obriga empresas a reforçarem a prevenção e a circulação de informações sobre vacinação e o rastreamento de cânceres.
A mudança garante ao funcionário o direito de se afastar por até três dias a cada 12 meses, sem prejuízo no salário, para realizar exames preventivos. Mais do que um ajuste técnico, o texto consolida uma mudança de lógica: a saúde do trabalhador deixa de ser uma urgência e passa a ser uma estratégia de rotina.

“Chegar tarde custa caro para a empresa, mas o preço maior quem paga é o corpo. A prevenção não é apenas uma regra, é o único jeito de evitar que uma doença silenciosa se torne uma tragédia evitável, protegendo a saúde de quem trabalha e a viabilidade de quem emprega”, sócia-fundadora da operadora de plano de saúde mineira Aurora Saúde, Liliane Freitas.
Jornada da Saúde
Nesse cenário, ganham força as soluções que ajudam as companhias a transformar a diretriz legal em prática diária. O desafio das organizações agora é garantir a adesão e a continuidade do cuidado sem comprometer a operação. O mercado, inclusive, já sinaliza os primeiros modelos que vão além da assistência tradicional. A Aurora Saúde, por exemplo, já oferece a “Jornada de Saúde”, uma iniciativa estruturada para o rastreamento preventivo com a realização de check-ups periódicos, promovendo cuidado contínuo e antecipação de riscos aos beneficiários.
“Criamos estímulos concretos. As empresas que registram alto engajamento dos funcionários na Jornada podem, por exemplo, obter até 8% de desconto nas mensalidades. Para a gestão, o benefício é a previsibilidade e a redução de riscos antes que o problema de saúde se imponha”, detalha Freitas.
Ainda de acordo com a executiva, a estratégia inverte a lógica do mercado ao trocar a remediação pelo incentivo.
“Ao adotar estratégias que organizam o cuidado preventivo, a empresa ganha previsibilidade e reduz a sinistralidade, provando que a adaptação à nova lei pode ser o caminho mais curto para uma operação mais saudável e, sobretudo, sustentável”, completa.



