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Enxaqueca ou não? Como saber se preciso ir ao médico por ter dor de cabeça

Celebrado em 19 de maio, o Dia Nacional de Combate à Cefaleia é uma data necessária para conscientizar que nem toda “dor de cabeça” é igual. Embora muita gente use os termos como sinônimos, a cefaleia comum e a enxaqueca têm causas, sintomas e tratamentos distintos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca, por exemplo, atinge cerca de 15% da população mundial, o equivalente a mais de 30 milhões de brasileiros. O neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Edson Issamu Yokoo, explica as principais diferenças entre a dor de cabeça comum e a enxaqueca.

“A dor de cabeça comum, ou cefaleia tensional,  é o tipo mais frequente e geralmente ligada ao estresse, ansiedade ou má postura. O tipo de dor é um aperto ou pressão, como uma faixa nos dois lados da cabeça, com intensidade leve a moderada, e que não piora com esforço físico. A sensação é como se houvesse um capacete ou uma fita apertando a testa e a nuca”, explica.

Segundo o médico, embora cause um incômodo constante, o indivíduo consegue continuar suas atividades do dia a dia. A causa comum são contrações musculares no pescoço e couro cabeludo e dificilmente apresenta outros sintomas relacionados.

“Já a enxaqueca é uma condição neurológica crônica que causa uma dor forte aliada a um conjunto de sintomas. A dor é pulsátil ou latejante e ocorre na maioria das vezes em um lado só da cabeça. A intensidade varia de moderada a incapacitante. Na enxaqueca, o esforço físico pode agravar o quadro”, comenta o especialista. Outros sintomas que costumam se manifestar são a fotofobia e fonofobia, ou seja, sensibilidade à luz e som, náuseas e vômitos. 

“Um sintoma que merece atenção é a chamada aura, que é definida como sintomas que antecedem ou acompanham uma dor do tipo enxaqueca. A aura pode ser visual (flashes de luz), somato-sensitiva (formigamentos) e motoras (diminuição de força durante a crise), mas também pode aparecer, menos frequentemente, na fala através da dificuldade de encontrar palavras e articular frases. A aura geralmente acontece antes da dor começar e acaba funcionando como um aviso”, reforça Yokoo.

Como funciona o tratamento?

Para tratar a dor de cabeça comum, é necessário focar no alívio da tensão muscular e na hidratação. O especialista reforça que analgésicos simples ou anti-inflamatórios costumam ser eficazes, especialmente se combinados com uma pausa das telas e técnicas de relaxamento, como compressas mornas no pescoço. 

“Já a enxaqueca requer uma estratégia mais rigorosa de controle sensorial e medicamentos específicos, Por se tratar de uma condição neurológica, ao primeiro sinal, recomenda-se o repouso em um quarto escuro e silencioso, o uso de compressas frias e, se necessário, intervenção medicamentosa com os remédios prescritos pelo médico. É imprescindível identificar gatilhos, como sono irregular, excesso de telas ou certos alimentos, para evitar que a crise se torne incapacitante”, ressalta o neurologista.

Yokoo aponta que independentemente do tipo, é necessário procurar um neurologista se a dor acender algum dos seguintes sinais de alerta: se a dor for muito forte ou com início súbito e explosivo; se vier acompanhada de febre ou rigidez no pescoço; se mudar de padrão, ficando diferente ou mais frequente; se surgir após um trauma na cabeça ou exigir o uso de medicamentos mais de duas vezes por semana.

“Esse acompanhamento médico para o diagnóstico ajuda muito no tratamento porque a automedicação excessiva pode causar um efeito rebote, no qual o próprio remédio passa a gerar mais dor de cabeça”, conclui o médico.

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