A expansão da telessaúde no Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o debate sobre qualidade e segurança nos atendimentos digitais no Brasil. Dados da Rede Brasileira de Telessaúde, do Ministério da Saúde, compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) – apontam que mais de 6,3 milhões de procedimentos foram realizados entre 2022 e 2025, consolidando a assistência remota como uma das principais frentes de transformação da saúde pública no país.
Os números mostram ainda que 4.409 municípios brasileiros já realizaram procedimentos de telessaúde, o equivalente a 79,14% das cidades do país. Entre os procedimentos registrados estão teleconsultas, teleinterconsultas, telemonitoramento, teletriagens, teleorientações, teleconsultorias síncronas (apoio médico e assistencial em tempo real) e telediagnósticos.
O avanço da saúde digital tem ampliado o acesso à assistência especializada, principalmente em regiões remotas e com menor cobertura médica. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da modalidade começa a pressionar o setor por protocolos mais estruturados, integração de dados, rastreabilidade e critérios assistenciais capazes de garantir segurança clínica e continuidade do cuidado.
Nesse cenário, hospitais e instituições de saúde passaram a investir em processos de acreditação voltados especificamente à saúde digital. “A telessaúde deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ocupar um papel estratégico dentro da assistência. Esse crescimento exige estruturas sólidas de governança, qualidade para garantir eficiência e segurança ao paciente”, afirma a gerente geral de Operações da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Gilvane Lolato.
A discussão ganhou força após o lançamento do novo Manual de Acreditação em Saúde Digital da ONA, apresentado durante a Hospitalar 2026. O documento estabelece critérios voltados à segurança assistencial, integração entre equipes, governança clínica e qualidade dos serviços prestados em ambiente digital.
Para Gilvane, a tendência é que a acreditação em saúde digital ganhe importância semelhante à já observada na acreditação hospitalar tradicional, especialmente diante da rápida expansão da telemedicina e da telessaúde no SUS.
InCor amplia atuação em saúde digital – O Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP), da Faculdade de Medicina da USP, participou recentemente da validação do novo Manual de Acreditação em Saúde Digital da ONA, representando serviços de alta complexidade na fase de testes dos critérios.
A instituição tem ampliado sua atuação em saúde digital nos últimos anos. Entre 2021 e março de 2026, o InCor realizou mais de 25,7 mil teleconsultas. No mesmo período, foram registrados mais de 40 mil atendimentos entre teleinterconsultas e teleconsultorias.
Outro destaque é a Plataforma Nacional de Telemedicina para Teleorientação de Ato Cirúrgico (TAC), que já viabilizou 95 cirurgias teleorientadas em estados como Paraíba, Maranhão e Minas Gerais, conectando equipes locais a especialistas do InCor em tempo real.
Telessaúde em MG – No recorte do SUS, Minas Gerais contabilizou 1.157.609 procedimentos de telessaúde, o equivalente a cerca de 18,24% do total nacional. Os dados reforçam o avanço da assistência digital no estado, especialmente em serviços de alta complexidade, apoio especializado e integração entre equipes médicas.
“A consolidação da saúde digital no Brasil depende da adoção contínua de parâmetros robustos de qualidade, segurança e governança, capazes de sustentar a expansão dos serviços em diferentes realidades regionais”, finaliza Gilvane Lolato.


