31 de maio marca o Dia Mundial da Luta contra o Câncer de Boca, doença que deve registrar cerca de 17,1 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Desse total, 12,2 mil devem ocorrer em homens e 4,9 mil em mulheres, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Atualmente, o câncer de boca já ocupa a posição de 5º tumor mais frequente entre os homens brasileiros, com maior concentração de casos na região Sudeste.
A data reforça o alerta de que alterações aparentemente simples na cavidade oral, como manchas brancas, avermelhadas ou feridas persistentes, não devem ser ignoradas.
Apesar dos números expressivos, o maior desafio continua sendo o diagnóstico tardio. Grande parte dos pacientes chega aos centros especializados já em estágios avançados, quando o tratamento costuma exigir procedimentos mais extensos e pode causar impactos funcionais e estéticos importantes. Dados como esse mostram como visitar um dentista com frequência é fundamental para identificar lesões suspeitas, ampliar as chances de diagnóstico em fases iniciais e aumentar a eficácia do tratamento.
Segundo a especialista Gabriela Ribeiro de Araújo, PhD em Odontologia e professora da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), entre os principais sinais de alerta que devem chamar atenção está a chamada “regra dos 15 dias”: qualquer ferida na boca que não cicatrize nesse período merece investigação. Segundo a dentista, as lesões costumam aparecer principalmente nas bordas laterais da língua, assoalho bucal, parte inferior da língua, garganta, gengivas e lábios. Muitas vezes começam como placas brancas indolores, que podem evoluir para úlceras semelhantes a aftas. Também podem surgir placas avermelhadas, que representam sinais iniciais importantes.
O câncer pode afetar diferentes regiões da boca, incluindo lábios, gengivas, bochechas, palato, língua e área sob a língua. Nos casos relacionados ao lábio, a exposição solar excessiva sem proteção é um dos principais fatores associados.
Diagnóstico precoce muda prognóstico
Embora a sobrevida média após cinco anos do diagnóstico esteja em torno de 53% a 55%, a identificação precoce pode alterar significativamente esse cenário. “Quando identificamos a doença nas fases iniciais, ainda na forma de placas brancas ou vermelhas, antes do aparecimento de nódulos e sem presença de dor, a sobrevida pode chegar a aproximadamente 80%”, afirma a especialista.
Esse rastreamento pode ocorrer em consultas odontológicas comuns, já que o exame clínico da boca permite observar alterações suspeitas antes mesmo de o paciente perceber sintomas. Quando há suspeita de lesões malignas ou alterações persistentes que não respondem ao tratamento inicial, o próximo passo costuma ser a realização da biópsia, que segundo a dentista, consiste na retirada de um fragmento da lesão para análise laboratorial. O exame então permite avaliar as células e confirmar o diagnóstico da doença com precisão.
Especialista explica que o tabaco continua sendo principal fator de risco
A análise da dentista da Faseh mostra que o principal tipo de câncer bucal é o carcinoma de células escamosas, fortemente associado ao tabagismo. Segundo ela, o maior fator de risco continua sendo o tabaco associado ao álcool, que sozinho não tem evidência de causar o câncer de boca, mas combinado ao uso de cigarros, pode aumentar ainda mais o risco da doença se desenvolver.
A PhD em Odontologia também reforça que, além do cigarro convencional, especialistas acompanham com atenção o avanço de novas formas de consumo de nicotina, como dispositivos eletrônicos, que podem impactar os índices futuros da doença.
Saiba os principais sinais de alerta para o câncer de boca
Entre os sintomas que merecem avaliação profissional estão:
- Feridas ou aftas que não cicatrizam em até 15 dias;
- Placas brancas ou avermelhadas na língua, gengivas e bochechas;
- Nódulos na boca, lábios ou pescoço;
- Dificuldade para mastigar, engolir ou falar;
- Rouquidão persistente;
- Sensação de algo preso na garganta;
- Crescimento de lesões na cavidade oral.
Também fazem parte das estratégias de prevenção a vacinação contra HPV, uso de protetor labial com filtro solar, abandono do tabagismo e acompanhamento odontológico regular.
Faseh oferece atendimento gratuito de odontologia
A Clínica de Odontologia da Faseh, inaugurada em 2025, oferece atendimento acessível para quem deseja cuidar da saúde bucal. Os serviços são realizados por estudantes da graduação, sempre supervisionados por professores especialistas, garantindo segurança e excelência nos procedimentos. No último semestre, a clínica dobrou de capacidade, passando de 6 cadeiras para 12, garantindo mais atendimentos para a população.
Serviço – Clínica de Odontologia da Faseh
Local: Rua São Paulo, 958 – Jardim Alterosa, Vespasiano
Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã (08h50 às 11h40) e da noite (19h00 às 21h30).
Contato: (31) 9759-1524
Agendamentos: https://forms.office.com/r/MwRt6Ss2pT?origin=lprLink



