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Hipertensão atinge 1,4 bilhão de pessoas no mundo e cresce 31% no Brasil

O avanço silencioso da hipertensão arterial preocupa autoridades de saúde globalmente. A condição já atinge cerca de 1,4 bilhão de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta um dado ainda mais preocupante: apenas uma em cada quatro pessoas mantém a doença sob controle.

No Brasil, o cenário também exige atenção imediata. O número de casos de hipertensão arterial cresceu 31% nos últimos anos, de acordo com dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2025. A pesquisa, ligada ao Ministério da Saúde e realizada anualmente, revela que, no mesmo período, outros fatores de risco apresentaram avanço significativo, como obesidade (118%) e excesso de peso (47%), condições diretamente associadas ao desenvolvimento da hipertensão.

Apesar de ser frequentemente associada ao envelhecimento, a pressão alta também tem acometido com frequência os adultos jovens. A doença sistêmica é uma condição crônica caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial e está entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo.

De acordo com o cardiologista Thiago Wesley, da Hapvida, a doença exige atenção mesmo quando não há sintomas. “Muitos acreditam que a ausência de dor de cabeça ou tontura é sinal de saúde, mas a pressão alta age sem dar sinais claros, desgastando as artérias gradualmente. O coração faz uma força desproporcional para bombear o sangue, o que causa um desgaste no órgão e lesões nos vasos. Sem o devido cuidado, o desfecho costuma ser o infarto ou o AVC. Por isso, o monitoramento precisa ser feito mesmo quando a pessoa se sente bem, pois o organismo não costuma enviar alertas antes de chegar ao limite”, afirma o médico.

Doença silenciosa exige monitoramento desde cedo

É justamente essa ausência de sintomas que dificulta a identificação da hipertensão. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas após complicações. Por isso, a recomendação médica é medir a pressão arterial regularmente a partir dos 18 anos, mesmo sem sinais.

Entre idosos, o índice de ocorrência da doença passa dos 60%, e os homens apresentam o risco logo após o fim da adolescência, segundo o médico. “Valores que indicam pré-hipertensão já servem de aviso para a mudança no estilo de vida”, alerta.

O especialista aponta que o aumento dos casos da doença está ligado ao consumo de produtos ultraprocessados e à falta de atividade física, hábitos que favorecem o ganho de peso e elevam o risco de hipertensão e de outras doenças, como diabetes.

“Viver de forma sedentária faz com que o coração perca a eficiência, precisando bater com mais intensidade para dar conta do organismo. Além disso, o excesso de sódio e gordura nos alimentos industrializados torna as artérias mais rígidas”, acrescenta.

Mudanças simples ajudam na prevenção

A prevenção da doença envolve ajustes na rotina. O cardiologista Thiago Wesley destaca que o estilo de vida funciona como a base de todo o cuidado. As principais orientações são para a redução do consumo de sal, a escolha por alimentos naturais e a manutenção de uma dieta equilibrada. Além de manter o corpo em movimento, controlar o peso e reduzir o estresse, fatores que ajudam a manter a pressão arterial em níveis saudáveis.

O acompanhamento médico periódico é outro ponto fundamental para o controle a longo prazo. “O tratamento vai muito além do remédio; é uma mudança real na mecânica do corpo. Medicamentos ajudam a controlar os índices, mas são os hábitos diários que impedem o desgaste dos órgãos e das artérias. Quando o paciente entende que a alimentação e o exercício físico fazem parte da receita, os resultados são muito melhores”, conclui.

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