A responsabilidade socioambiental ganha relevância entre os pequenos negócios mineiros, mesmo que o conceito de ESG ainda não seja amplamente conhecido pelos empreendedores. Pesquisa realizada pelo Sebrae Minas mostra que nove em cada dez empresas do estado consideram importante que os negócios adotem práticas sustentáveis e assumam responsabilidade pelos impactos que geram. Desse total, quase 70% classificam o tema como muito importante e cerca de 22% como importante.
Ao mesmo tempo em que a percepção sobre sustentabilidade avança, a pesquisa revela que o conhecimento sobre o termo ESG – Environmental, Social e Governance – em português, meio ambiente, social e governança corporativa, ainda é limitado entre os pequenos negócios. Segundo os dados, mais da metade dos entrevistados afirma nunca ter ouvido falar do termo, enquanto 25% já ouviram falar, mas não sabem exatamente do que se trata. Apenas 24% dizem conhecer o conceito e seu significado.
Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, os pequenos negócios já perceberam que sustentabilidade e responsabilidade social estão diretamente ligadas à competitividade do negócio.
“A adoção de boas práticas que equilibram crescimento financeiro, responsabilidade social, ambiental e a ética administrativa é uma necessidade para empresas que desejam crescer de forma sustentável. Os empreendedores reconhecem cada vez mais que essas práticas geram valor para o negócio, ajudam a reduzir custos e fortalecem a imagem da empresa perante o mercado”, afirma.
A pesquisa também aponta que as práticas ESG ainda apresentam baixo nível de estruturação entre os pequenos negócios. A maior parcela (33%) afirma adotar ações pontuais, sem planejamento formal, enquanto 32% dizem que ainda não adotam práticas sustentáveis ou ESG. Outros 20% têm ações recorrentes, mas sem acompanhamento de resultados.
Apenas 10% das empresas contam com práticas planejadas e monitoramento de custos, ganhos ou resultados, e pouco menos de 4% possuem ações estruturadas e fazem comunicação dessas iniciativas.
Apesar disso, os benefícios percebidos pelos empresários são evidentes. Entre as principais vantagens apontadas estão a melhoria da imagem perante clientes e comunidade (57%), a redução de custos operacionais, como economia de energia, água e materiais (53%), e a sustentabilidade do negócio no longo prazo (46%).
“Percebemos uma consciência cada vez maior dos pequenos negócios sobre a importância das práticas sustentáveis, mas ainda existe o desafio de estruturar essas iniciativas. Mais do que ações isoladas, é fundamental transformar esse movimento em práticas planejadas, com acompanhamento de resultados, capazes de fortalecer a reputação das empresas, aumentar sua competitividade e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo”, destaca Silva.
Para os próximos anos, a pesquisa revela uma perspectiva positiva. Entre as prioridades dos pequenos negócios em relação ao ESG, destaca-se a intenção de reduzir impactos ambientais, por meio de ações como economia de energia, uso consciente da água e reciclagem, apontada por 59% dos entrevistados; seguido por iniciativas voltadas à gestão e transparência das empresas (42%) e à promoção de ações sociais (31%).
A pesquisa “ESG nos Pequenos Negócios 2026” foi realizada em maio de 2026, com 283 donos de pequenos negócios de todo o estado.
Dimensão Ambiental, Social e de Governança
Na dimensão ambiental, ações ligadas à redução de consumo e desperdício já aparecem consolidadas em parte significativa dos pequenos negócios. A economia de energia elétrica é adotada por quase 83% empresas pesquisadas, enquanto a redução de descartáveis e geração de resíduos é praticada por mais de 80%. A reciclagem e o reaproveitamento de materiais também já integram a rotina cerca de 70% dos empreendedores.
No aspecto social, as práticas de diversidade e inclusão aparecem presentes no cotidiano empresarial: quase 46% afirmam adotá-las de forma habitual e cerca de 27% de maneira pontual. O respeito e o tratamento igualitário entre as pessoas lideram entre as iniciativas mais adotadas, sendo mencionados por praticamente 59% dos entrevistados. Em seguida, aparecem práticas ligadas à diversidade em contratações ou atendimento (19,8%) e à igualdade de salários e oportunidades de crescimento profissional (19,5%).
Já na dimensão de governança, a pesquisa aponta avanços, mas também desafios importantes. Quase metade das dos pequenos negócios (48%) afirma que não possui canais para receber críticas, elogios ou sugestões. Quando perguntados sobre ética e transparência, a maioria disse que possui orientações informais sobre o tema (47,8%), enquanto 28% afirmaram ter regras e orientações definidas. Além disso, 62,8% dos empreendedores afirmam trabalhar com objetivos ou planejamento informal, sem acompanhamento estruturado.


