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Alerta no frio: por que as dores nas pernas de idosos e fumantes pioram em junho e quando isso sinaliza risco de infarto da extremidade

A chegada do mês de junho e dos dias mais frios traz um alerta que vai muito além do agasalho, especialmente para idosos e fumantes. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a Doença Arterial Periférica (DAP) atinge entre 10% e 15% das pessoas acima dos 50 anos, e esse número salta para assustadores 50% quando falamos de fumantes crônicos. O que pouca gente sabe é que o frio funciona como um gatilho para o problema. Para tentar reter o calor do corpo, o organismo naturalmente estreita os vasos sanguíneos, processo chamado de vasoconstrição. O grande perigo é que, em artérias que já estão entupidas por gordura, esse entupimento reduz drasticamente a circulação de sangue.

É aí que o corpo começa a reclamar, e as pernas dão os primeiros sinais de socorro. O cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio explica que o sintoma mais comum é aquela dor ou cãibra forte na panturrilha que aparece do nada durante uma caminhada leve e obriga a pessoa a parar. “No inverno, como as artérias já estão mais estreitas por causa do frio, o músculo fica sem oxigênio muito mais rápido. Aquele idoso que antes caminhava dois quarteirões sem sentir nada, agora começa a mancar ou precisa interromper o passo logo nos primeiros metros”, conta o médico.

O verdadeiro perigo mora quando essa dor muda de comportamento. Se o desconforto começar a aparecer mesmo quando a pessoa está em repouso, deitada na cama, a situação vira um caso de urgência. Esse cenário é um aviso claro de que os tecidos da perna estão morrendo aos poucos por falta de sangue, o que a medicina chama de infarto da extremidade. Se nada for feito a tempo, essa falta de oxigenação severa evolui para feridas que não cicatrizam, necrose e, nos casos mais graves, pode levar à amputação do membro.

Felizmente, a medicina mudou bastante e hoje evita que a maioria dos pacientes passe por cirurgias longas e agressivas. O tratamento para desobstruir as pernas agora é feito por meio da angioplastia minimamente invasiva, um procedimento moderno que não precisa de grandes cortes. “Nós entramos com um cateter fininho por um furinho na virilha e, acompanhando tudo por telas de alta resolução, localizamos o ponto exato do entupimento. Ali, inflamos um balão ou colocamos uma pequena malha de metal, o stent, para abrir a artéria e fazer o sangue voltar a correr na hora”, detalha.

O alívio para o paciente costuma ser imediato. Como o procedimento é muito mais simples do que uma cirurgia tradicional, o tempo de internação cai drasticamente, permitindo que a pessoa volte para casa em até 24 horas, sem precisar lidar com um pós-operatório doloroso. O especialista lembra que essa técnica devolve a autonomia e a qualidade de vida de forma muito mais segura, o que é fundamental para pacientes mais velhos que já lidam com outros problemas de saúde, como diabetes ou hipertensão.

Para passar pelo inverno sem sustos, a receita envolve cuidados básicos no dia a dia: manter as pernas e os pés sempre bem aquecidos com meias e calças térmicas, controlar as doenças de base e, acima de tudo, tentar largar o cigarro. O cirurgião reforça o recado principal: dor nas pernas não é “coisa da idade” e nem deve ser ignorada. Ao menor sinal de que caminhar ficou mais difícil, o ideal é procurar ajuda médica antes que o quadro se complique.

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