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Cia Pierrot Lunar estreia espetáculo teatral “Eu Quero Ser uma Locomotiva” no CCBB BH.

A Cia Pierrot Lunar estreia seu mais novo espetáculo teatral “Eu Quero ser Uma Locomotiva” no dia 3 de julho, sexta-feira, no CCBB BH. Sob a direção de Lydia Del Picchia e dramaturgia coletiva, a peça fala sobre a relação com o tempo, o desejo e a capacidade humana de se reinventar após os 50 anos, investigando as memórias e as escolhas de uma geração que viveu a transição do mundo analógico para a era dos algoritmos. A temporada segue até o dia 27 de julho no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, de sexta a segunda-feira, sempre às 20h. A classificação indicativa é 12 anos. Nos dias 11 e 25 de julho, sábado, as sessões contam com tradução em Libras e, nos dias 6 e 24 de julho, haverá bate-papo gratuito após o espetáculo.

Os ingressos custam R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada), com desconto de 50% para clientes do Banco do Brasil que realizam o pagamento com Cartões BB. Eles estarão à venda na bilheteria do CCBB BH e pelo site ccbb.com.br/bh. Mais informações no site ccbb.com.br/bh, nas redes sociais instagram.com/ccbbbh e facebook.com/ccbbbh, ou pelo telefone (31) 3431-9400.

Com direção de Lydia Del Picchia (Grupo Galpão), que contribui pela primeira vez com o grupo, a trama acompanha dois algoritmos pré-históricos do futuro que estão envelhecendo em uma cápsula à deriva – um mausoléu digital orbitando os escombros da memória. No palco, o público encontrará uma verdadeira arqueologia visual e sonora, onde som e imagem andam de mãos dadas para refletir sobre a passagem do tempo.

Segundo a atriz e uma das fundadoras da Pierrot, Neise Neves, a montagem lança um olhar sensível e provocador sobre a capacidade humana de restauração e reinvenção, jogando luz sobre os dilemas da geração 50+ que viveu a transição para a era dos algoritmos.

“Nós percorremos uma trajetória que vai de um tempo ao outro com profundas mudanças no percurso. Passamos pelo carro sem cinto de segurança, pela fita cassete, e de repente tivemos que aprender a deixar fotos na nuvem. O espetáculo busca entender o que será o percurso a partir de agora”, explica Neise. “Mais do que falar diretamente de envelhecimento, queremos falar do percurso a partir de agora. As personagens tentam burlar o tempo, achando uma maneira de deixar algo que comprove que estiveram ali”.

A escolha do tema nasceu quando os atores completaram 50 anos e sentiram o desejo de falar de seus contemporâneos. Outra inspiração foi a canção “Quero Ser Locomotiva”, do cantor e compositor Jorge Mautner, que em sua letra toca em temas como transformação e liberdade.

“Queríamos falar da nossa geração. Nós, com um pouco mais ou um pouco menos de 50 anos de vida, passamos por essa transformação. O espetáculo busca trazer tudo isso não como uma coleção nostálgica do passado em detrimento do presente, mas sim em busca do que será o amanhã. Fomos nos inspirando em pessoas que admiramos, em situações vividas por nós e por indivíduos próximos, mas também de olho no contexto político, histórico, tecnológico e social que atravessa essa geração 50+”, comenta o ator Léo Quintão. Ele acrescenta que os dilemas das personagens estão em profunda conexão com as vivências dos próprios artistas, refletindo conflitos humanos com os quais o público facilmente irá se identificar.

“O conflito, mais do que estar entre as duas personagens – aqueles cinquentões – está para com eles mesmos e sobre o que foram, o que imaginaram ser e o que realmente se tornaram, para entenderem como serão daqui para frente. Em algum momento da história, as personagens tentam lembrar qual o momento em que tudo começou a degenerar no mundo e percebem, a cada dia, que continuamos nos degenerando, porque não aprendemos com a memória, com a história. Uma delas diz: ‘Tem coisa que a gente não gosta de lembrar, mas não pode esquecer'”, explica Neise Neves.

Para a diretora Lydia Del Picchia, o teatro serve como plataforma ideal para humanizar essa discussão: “o teatro é o lugar da imaginação, da criação de mundos, e exige de nós uma observação aguda do outro e de nós mesmos, uma espécie de empatia compulsória”, afirma. No entanto, segundo ela, a obra passa longe de ser uma distopia pessimista. “Nossa locomotiva está numa encruzilhada onde é possível olhar para trás sem nostalgia, e para frente com a perspectiva de quem é dono dos próprios desejos. Não é uma peça sobre idade, é sobre viver”, afirma.

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