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Neste sábado (27): Camila Nicácio lança “Nas dobras da estória”, romance que reflete sobre os limites entre realidade e invenção

A escritora e professora universitária belo-horizontina Camila Nicácio lança, neste sábado, dia 27 de junho, o romance “Nas dobras da estória”, obra que mergulha nas zonas nebulosas entre verdade e invenção, realidade e ficção. O evento de lançamento acontece no Espaço Comum Luiz Estrela, das 10h às 13h, e marca a chegada do segundo romance da autora, que também possui obras de poesia publicadas no Brasil e na França. Com entrada gratuita, o evento contará com a presença da autora e com a venda de exemplares do livro, por R$ 68. A pré-venda online está disponível neste link.

Partindo do furto de uma estória original em uma gráfica de impressões, o livro desdobra de forma caleidoscópica temas universais como solidão, amor, medo, morte e adoecimento, enquanto acompanha o entrelaçamento das trajetórias da escritora Ana, de Eva e Bruno, protagonistas da narrativa. A partir do recurso da metaficção, Camila Nicácio constrói uma trama que tensiona os limites da autoria e questiona os modos contemporâneos de produção da verdade.

“O romance é uma tentativa de transpor ao plano literário a perplexidade que traz o embaçamento de fronteiras no mundo contemporâneo entre a verdade e a invenção, a ficção e a realidade, mas também o dentro e o fora, o passado e o presente, o digital e o presencial”, afirma a autora. “Atualmente, a verdade é reivindicada como a verdade de cada um, com todas as consequências que isso pode ter no horizonte do convívio entre as pessoas e na responsabilidade de uns pelos outros”.

A metaficção como ferramenta criativa

Em “Nas dobras da estória”, Camila dá continuidade a uma pesquisa literária já presente em seu primeiro romance, “É tudo inventado, mas não é mentira”. Lançado em 2023, este livro, que é o primeiro volume da trilogia “Verdade inventada”, teve recepção calorosa de público e crítica, além de rápida reimpressão poucos meses após o lançamento. No segundo volume, a autora volta a recorrer à metaficção como forma de embaralhar vozes narrativas e deslocar certezas.

“A metaficção me pareceu a maneira mais eficaz para justamente embolar essa fronteira a mais: quem fala o que dentro de qual estória?”, explica. “Gostaria que leitora e leitor se perdessem e se achassem, convergindo para o que é essencial para cada uma e um”.

A experiência de mais de 25 anos de atuação de Camila Nicácio na área dos direitos humanos também atravessa o romance. Ao longo da carreira, a autora trabalhou com mediação e acesso à justiça, adolescentes em conflito com a lei, população em situação de rua, pessoas LGBTQIA+ e liberdade religiosa de grupos afro-religiosos, experiências que reverberam na construção das personagens e dos conflitos presentes no livro.

“O direito é uma tentativa humana e muito limitada de deixar o mundo um pouco mais habitável; a literatura é a afirmação de que o mundo pode ser habitável apesar dele mesmo. São duas lógicas que tendem a se chocar”, reflete a escritora, também professora de direito.

Das fronteiras entre a realidade e a invenção

A relação entre vida e ficção também ocupa lugar central na narrativa. Ana Borja, protagonista do romance, é uma escritora cuja trajetória se sobrepõe constantemente ao universo ficcional que cria. Para Camila, o jogo entre autobiografia e invenção faz parte da própria essência da literatura. “Não se trata de um livro autobiográfico, mas quem escreveu fui eu”, comenta. “Ana sou eu. E Ana não sou eu. É a parte mais mirabolante e sedutora da fabulação”.

Além da sessão de lançamento, a proposta inicial do projeto prevê rodas de conversa e debates em diferentes regiões de Belo Horizonte, ampliando as possibilidades de encontro entre literatura e reflexão pública. Segundo a autora, os espaços coletivos de leitura têm sido fundamentais em sua trajetória como romancista independente.

“Vejo a literatura como um convite para pensar. Pensar alto, pensar sozinha e em silêncio, pensar em conjunto”, afirma a autora. “O encontro nos clubes de leitura e debates abertos é fantástico porque propicia esse espaço-tempo de suspender a vida diária e fabular junto.” A publicação também se insere em um movimento contemporâneo de ampliação das vozes femininas na literatura brasileira. “No Brasil, na América Latina e em várias partes do mundo há mulheres produzindo romances incríveis. Que o mercado, os prêmios e as livrarias tenham cada vez mais espaço para ecoar essas vozes”, finaliza.

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