Pela primeira vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz global para o cuidado da infertilidade e fez um alerta aos países: o acesso à saúde reprodutiva precisa se tornar mais seguro, equitativo e acessível. A medida marca uma mudança importante na forma como o tema é tratado, deixando de ser visto apenas como uma questão individual para ocupar espaço entre as prioridades da saúde pública mundial.
Os números ajudam a explicar essa preocupação. Segundo a OMS, cerca de 17,5% da população adulta mundial – aproximadamente uma em cada seis pessoas – enfrentará infertilidade em algum momento da vida. No Brasil, estimativas da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) apontam que cerca de 8 milhões de pessoas convivem com a condição.
Durante o Mês da Conscientização sobre a Infertilidade, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para ampliar as chances de gravidez e definir estratégias de tratamento mais eficazes.
Metade dos casos envolve fatores masculinos
Um dos principais equívocos relacionados à infertilidade é acreditar que a dificuldade para engravidar está associada apenas à mulher. Para a ginecologista especialista em Reprodução Humana da Rede Mater Dei, Dra. Roberta Sacchetto, que atende no Mater Dei Santo Agostinho e Mater Dei Betim-Contagem, a investigação deve envolver o casal desde o início.
“Os fatores masculinos e femininos têm participação muito semelhante nos casos de infertilidade. Por isso, não podemos concentrar toda a investigação apenas na mulher. O espermograma é um exame simples, acessível e fundamental para avaliar a fertilidade masculina”, explica.
Quando procurar ajuda
A recomendação médica é que casais procurem avaliação especializada após 12 meses de tentativas regulares sem sucesso e sem uso de métodos contraceptivos. Para mulheres com mais de 35 anos, o prazo cai para seis meses. Além disso, algumas situações justificam a busca antecipada por orientação médica, como ciclos menstruais irregulares, histórico de endometriose, cirurgias ovarianas prévias ou alterações já identificadas nos exames do parceiro.
“A fertilidade feminina sofre uma redução natural com o passar dos anos, especialmente após os 35 anos. Muitas vezes essa queda acontece sem sintomas perceptíveis, o que torna a avaliação médica ainda mais importante”, destaca a especialista.
Tempo continua sendo o principal fator
Apesar dos avanços da medicina reprodutiva, a idade permanece como um dos fatores que mais influenciam as chances de gravidez. Por isso, especialistas reforçam que o tempo é um dos recursos mais valiosos para quem deseja ter filhos. A investigação pode incluir exames hormonais, avaliação da reserva ovariana, ultrassonografia, histerossalpingografia – exame que avalia as trompas – e análise seminal. A partir dos resultados, o tratamento é definido de forma individualizada.
“Quanto mais cedo identificamos a causa da dificuldade para engravidar, maiores tendem a ser as opções de tratamento e as chances de sucesso reprodutivo”, afirma Dra. Roberta Sacchetto.
Reprodução assistida ganha espaço
O aumento da idade média da maternidade e a maior conscientização sobre infertilidade têm impulsionado a procura por tratamentos de reprodução assistida nos últimos anos. Entre as principais técnicas está a fertilização in vitro (FIV), indicada para diferentes situações, como alterações tubárias, endometriose, fatores masculinos e diminuição da reserva ovariana.
Segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a técnica consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.
Os avanços tecnológicos ampliaram a precisão dos diagnósticos e a segurança dos tratamentos, permitindo abordagens cada vez mais personalizadas. Ainda assim, especialistas reforçam que nenhuma tecnologia é capaz de eliminar completamente o impacto da idade sobre a fertilidade.
Quebrar o tabu também faz parte do tratamento
Além dos desafios clínicos, a infertilidade ainda é cercada por estigmas que atrasam a busca por ajuda especializada. O medo do julgamento, a vergonha ou a expectativa de que a gravidez aconteça naturalmente com o tempo podem fazer com que muitos casais adiem a investigação.
“Buscar ajuda não significa fracasso. Significa entender o que está acontecendo e ampliar as possibilidades de encontrar o tratamento mais adequado para cada caso”, conclui a Dra. Roberta Sacchetto



