A pauta da diversidade, equidade e inclusão tem ganhado espaço entre os pequenos negócios mineiros, mas os desafios permanecem. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae Minas revela que quase 40% dos empreendedores já presenciaram ou sofreram situações de discriminação no ambiente de trabalho.
O levantamento mostra que mulheres são o grupo mais associado a episódios discriminatórios, mencionadas por 27% dos respondentes. Em seguida aparecem pessoas negras (25%) e pessoas LGBTQIAPN+ (21%), evidenciando que as desigualdades ainda se refletem no cotidiano corporativo.
Apesar desse cenário, a maioria dos empreendedores afirma estar engajada com a pauta. Segundo a pesquisa, cerca de sete em cada dez empresas já desenvolvem ações de diversidade e mais de 70% pretendem ampliar essas iniciativas nos próximos dois anos. Entre as frentes já trabalhadas, destacam-se diversidade racial (49%), diversidade de gênero (40%) e diversidade etária (38%).
“Os dados mostram que as empresas já reconhecem a importância da diversidade, equidade e inclusão, mas ainda há um desafio claro de transformar esse reconhecimento em ações estruturadas e contínuas dentro do ambiente de trabalho. Ao mesmo tempo, é positivo ver que a maioria dos empreendedores já se mostra disposta a avançar nessa pauta, o que indica um movimento consistente de mudança cultural entre os pequenos negócios mineiros”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.
A quarta edição da pesquisa foi realizada em junho de 2026 e ouviu 247 empreendedores (entre microempreendedores individuais e micro e pequenas empresas) de todo o estado.
Desafios
Apesar do avanço das iniciativas internas, a diversidade ainda não está plenamente incorporada às ações de mercado. A pesquisa aponta que 70% das empresas não possuem produtos ou serviços direcionados especificamente aos públicos diversos.
Em relação à composição dos quadros profissionais, 38% dos respondentes afirmam que suas empresas contam com algum tipo de diversidade entre colaboradores, enquanto 16% indicam não adotar esse tipo de prática.
Entre os tipos de diversidade presentes nas equipes, a racial aparece como a mais citada (29%), seguida pela diversidade de gênero (21%) e pela diversidade etária (21%).
Percepção positiva
A pesquisa também investigou como os empreendedores percebem o tema. Para 26% dos respondentes, diversidade, equidade e inclusão estão associadas à ideia de igualdade. Em seguida aparecem ações afirmativas (23%) e justiça social e reparação histórica (22%). O tema também é relacionado à criatividade e inovação por cerca de 16% dos participantes.
A relevância da pauta no ambiente corporativo é amplamente reconhecida: metade dos empreendedores atribuíram nota máxima à importância da diversidade nas empresas. Apenas 26% avaliaram o tema com nota igual ou inferior a 5, indicando que parte dos negócios ainda não incorporou plenamente essa agenda.
“Ambientes diversos ampliam perspectivas, estimulam a inovação e tornam as empresas mais preparadas para as transformações da sociedade. Por isso, a diversidade não deve ser vista como uma ação isolada ou pontual, mas como parte da estratégia do negócio, capaz de fortalecer a competitividade e a geração de valor para os clientes, colaboradores e parceiros”, ressalta a analista do Sebrae Minas Lídia do Carmo.
Perfil dos respondentes
A pesquisa traçou o perfil das pessoas empreendedoras em Minas Gerais. A maioria dos respondentes da pesquisa é cisgênero (55% homens e 38% mulheres), enquanto 2% se declararam não binários. Em relação a orientação sexual, 86% são heterossexuais e 7% são homossexuais ou bissexuais. A maioria das pessoas que empreendem se autodeclararam negras (50%) – sendo 37% pardas e 13% pretas, seguido pelas pessoas brancas, que representam 48%. Além disso, 90% das pessoas entrevistadas responderam que não pertencem ao grupo de pessoas com deficiência ou neurodivergência.
Em relação à escolaridade, a maioria dos entrevistados possui ensino superior completo (36%) ou pós-graduação (28%), e a faixa etária predominante é a de 30 a 39 anos (24%), seguida por 45 a 49 (18%) e 50 a 54 anos (16%).

