O desempenho histórico do agronegócio mineiro em 2025, que alcançou Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 279 bilhões e passou a representar 24,1% da economia do estado, reforça a importância da produção florestal como uma das atividades que impulsionam o crescimento do setor.
A avaliação foi apresentada pela presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, durante coletiva de imprensa promovida nesta sexta-feira (3) pelo Sistema Faemg Senar para análise dos resultados do estudo elaborado pela Fundação João Pinheiro.
Embora os indicadores divulgados contemplem toda a cadeia do agronegócio, Adriana destacou que a produção florestal reúne características que ampliam sua contribuição para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. Além de estar presente em mais de 810 municípios, o setor responde pela maior cultura agrícola mineira, com cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas.
Segundo a presidente executiva, a tendência é de crescimento da atividade nos próximos anos, impulsionada pela substituição de matérias-primas fósseis por fontes renováveis. “A madeira passou a ocupar um papel estratégico na transição energética. Cada vez mais indústrias substituem combustíveis fósseis por biomassa florestal e outros produtos de origem renovável. Essa demanda deve crescer de forma consistente, abrindo espaço para a expansão das florestas plantadas em Minas Gerais”, pontua.
Minas Gerais possui mais de 3 milhões de hectares de áreas degradadas ou de baixa produtividade que podem receber atividades agrossilvipastoris, permitindo ampliar a produção sem necessidade de abertura de novas áreas. Na avaliação de Adriana, a expansão pode gerar renda para pequenos e médios produtores, diversificar a atividade agropecuária e aumentar a cobertura vegetal do estado.
Outro vetor apontado pela AMIF é o crescimento da demanda energética. Um dos exemplos é a expansão da produção de etanol de milho, processo industrial que utiliza madeira proveniente de florestas plantadas como fonte de energia. “Hoje o estoque de madeira disponível no Brasil não acompanha o ritmo esperado de crescimento da produção de etanol de milho. Isso representa uma oportunidade importante para ampliar a base florestal de forma planejada e sustentável”, observa Adriana.
Cadeia movimenta R$ 20 bilhões em notas fiscais
A importância econômica da atividade também aparece na movimentação comercial do setor. Levantamento realizado pela Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, analisado pela AMIF, mostra que o conjunto das operações da cadeia florestal movimentou aproximadamente R$ 20 bilhões em notas fiscais ao longo de 2025, média de R$ 1,65 bilhão por mês.
Os dados também revelam a diversidade da cadeia produtiva. Mensalmente, são comercializados mais de 110 códigos de produtos (NCMs) ligados ao setor florestal, incluindo carvão vegetal, lenha, madeira serrada, painéis, móveis, tábuas, palitos e diversos outros produtos presentes no cotidiano da população.
Mas esses números mostram que a atividade vai muito além da produção de madeira. “Quando falamos em florestas plantadas, estamos falando de uma cadeia que abastece diferentes setores da economia, gera empregos, movimenta a indústria e oferece uma matéria-prima renovável que será cada vez mais estratégica para uma economia de baixo carbono”, acrescenta Adriana.
As regiões Norte de Minas, Jequitinhonha e Central Mineira concentram atualmente as maiores áreas plantadas e também o maior volume de comercialização de produtos de base florestal, firmando o setor como um dos principais vetores de desenvolvimento econômico do interior do estado.



