Hoje, 10 de julho, comemora-se o Dia da Pizza no Brasil. A data surgiu em São Paulo, a partir de um concurso que elegeu as melhores pizzas nos sabores muçarela e marguerita, promovido pela então Secretaria de Turismo do Estado. O sucesso da iniciativa fez com que o dia 10 de julho se consolidasse como a data dedicada a uma das preparações mais apreciadas pelos brasileiros. Segundo a Associação Pizzarias Unidas do Brasil (APUBRA), o país conta atualmente com cerca de 40,3 mil pizzarias ativas. Desse total, São Paulo concentra aproximadamente 32% dos estabelecimentos, seguido por Minas Gerais, com 8,7%, evidenciando a forte tradição mineira quando o assunto é pizza.
Embora preparações à base de farinha e água, moldadas em discos e assadas sobre pedras quentes, já fossem registradas e consumidas por povos da Antiguidade, como egípcios, gregos e romanos, a pizza moderna nasceu em Nápoles, na Itália. Foi entre os séculos XVII e XIX que a combinação da massa fermentada com molho de tomate e outros ingredientes deu origem à receita que conquistaria o mundo e se tornaria um dos maiores símbolos da gastronomia italiana. Em 2017, a arte tradicional dos pizzaiolos napolitanos foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
Mas, do ponto de vista nutricional, a pizza é realmente uma “vilã”?
A resposta é: depende.
A pizza é uma preparação composta por diferentes grupos alimentares. A massa, elaborada principalmente com farinha de trigo, fornece carboidratos, uma das fontes de energia para o organismo, assim como o óleo vegetal utilizado que é fonte de gorduras. Já os ovos, quando adicionados, acrescentam proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais
O recheio, por sua vez, é o principal determinante do perfil nutricional da preparação. O molho de tomate fornece compostos antioxidantes, como o licopeno; os queijos contribuem com proteínas e cálcio, embora as variedades mais amarelas e gordurosas também apresentem maiores teores de lipídeos e sódio; já ingredientes como frango, atum, carnes magras e vegetais complementam a refeição com proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Assim, dependendo da combinação de ingredientes, a pizza pode, sim, compor uma refeição completa e equilibrada, se consumida com moderação.

Mais importante do que classificar a pizza como um alimento “bom” ou “ruim” é observar como ela faz parte da rotina alimentar. O problema, na maioria das vezes, não está na pizza em si, mas:
- na frequência e quantidade em que é consumida;
- na escolha constante por recheios ricos em gorduras saturadas e embutidos, como calabresa, bacon, pepperoni, catupiry ou outros queijos cremosos;
- no consumo excessivo de refrigerantes, bebidas alcoólicas e acompanhamentos extremamente calóricos.
A boa notícia é que informação e boas escolhas fazem a diferença. Optar por recheios que combinem fontes de proteínas e vegetais torna a refeição mais equilibrada e nutritiva, ajudando a não pesar na balança nem na consciência. Boas opções incluem pizzas de frango desfiado, atum, abobrinha ou brócolis com queijo, rúcula com muçarela de búfala, cogumelos e, por que não, uma pizza de filé com queijo. Essas combinações aumentam a oferta de fibras, vitaminas e minerais, além de favorecerem maior saciedade.
Celebrar o Dia da Pizza não significa abandonar uma alimentação saudável. Significa reconhecer que saúde também envolve prazer, conexão e equilíbrio. Escolher recheios mais nutritivos, controlar a quantidade e saborear cada fatia sem culpa permite aproveitar essa tradição italiana — tão bem acolhida pelos brasileiros — de forma leve, consciente e saborosa.
Bom apetite!
Até o próximo texto!
Marcela Nutri

Marcela Rodrigues Rocha
Nutricionista (CRN9 – 5529), especialista em Gastronomia (FAMESP), Mestre em Ciências dos Alimentos (IFTM) e Doutora em Engenharia de Alimentos – USP.
@marceladricha
Fotos: Magnific



