Moda

Nem toda tendência cria estilo: por que algumas mulheres se tornam referências de moda sem seguir o que está em alta

Enquanto novidades surgem e desaparecem em ritmo acelerado, algumas mulheres permanecem como referências de estilo por décadas. Nomes como Tilda Swinton, Cate Blanchett, Anna Wintour, Diana Vreeland, Miuccia Prada e Maria Callas provaram que construir uma identidade visual consistente pode ser muito mais marcante do que acompanhar cada aposta apresentada pelas passarelas.

Para o stylist Thiago Barcellos, mais de 20 anos de carreira, o verdadeiro estilo nasce da coerência, e não da necessidade de estar sempre na moda.

Quem constrói uma identidade própria não depende do que está em alta para se destacar. Essas mulheres desenvolveram uma linguagem visual que comunica personalidade antes mesmo de acompanhar qualquer trend“, explica.

Tendência passa. Identidade permanece

Em uma época marcada pelas redes sociais e pela velocidade das microtendências, é comum associar estilo à capacidade de reproduzir o que está viralizando. No entanto, Thiago ressalta que esse comportamento pode ter o efeito contrário.

Quem tenta usar todas as inovações acaba criando uma imagem instável. Já quem conhece o próprio estilo consegue incorporar lançamentos apenas quando eles fazem sentido para sua identidade“.

Segundo o especialista, esse é um dos motivos pelos quais personalidades como Tilda Swinton e Cate Blanchett continuam sendo constantemente lembradas em editoriais e listas de mulheres mais bem vestidas. Em vez de seguir regras impostas pela moda, elas priorizam cortes, proporções, tecidos e uma estética coerente com quem são.

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Referências que atravessam gerações

O mesmo acontece com grandes nomes da história da moda. Anna Wintour transformou seu visual em uma assinatura reconhecida mundialmente. Antes dela, Diana Vreeland revolucionou a forma de enxergar a moda editorial, influenciando gerações com uma visão estética única. Miuccia Prada tornou-se referência justamente por desafiar padrões e criar propostas que nem sempre dialogavam com as tendências do momento, mas que acabavam influenciando toda a indústria.

Para Thiago, essas mulheres demonstram que estilo não está necessariamente ligado ao consumo constante, mas à construção de uma imagem consistente ao longo do tempo.

Como adaptar esse conceito para a vida real

Embora essas referências pertençam ao universo da moda e das celebridades, o princípio pode ser aplicado ao guarda-roupa de qualquer pessoa.

O primeiro passo é entender quais modelagens, cores e peças representam sua personalidade. A tendência deve complementar essa identidade, nunca substituí-la.”

Na prática, isso também favorece um consumo mais consciente, já que peças escolhidas com base na expressão pessoal tendem a permanecer no guarda-roupa por muito mais tempo do que aquelas compradas apenas porque estão em evidência nas redes sociais.

Sobre o especialista:

Thiago Barcellos é stylist e produtor de moda com 22 anos de carreira. Já vestiu nomes como Xuxa Meneghel, Mariana Weickert e Juliana Baroni, além de assinar figurinos para a equipe da ICL TV, Vogue, SPFW, Fashion Rio, TV Globo (Autoesporte), Canal Sony e Disney/ESPN. Especialista em Moda, com grande experiência em TV e sustentabilidade, une criatividade e inovação em cada projeto.

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