As mudanças climáticas têm tornado mais frequentes os episódios de calor intenso, frio repentino e baixa umidade do ar. Em Belo Horizonte, além do desconforto provocado pelo tempo seco, essas condições representam um fator de risco para a saúde. Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostram que as doenças respiratórias estão entre as principais causas de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) na capital e têm relação com fatores climáticos como variações de temperatura, redução da umidade do ar e concentração de poluentes
A combinação entre temperaturas muito baixas durante a madrugada, calor ao longo do dia e índices reduzidos de umidade favorece o ressecamento das vias aéreas, dificulta a eliminação de impurezas e aumenta a circulação de partículas em suspensão, como poeira e poluentes. Esse cenário pode agravar quadros de asma, bronquite, rinite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), além de favorecer infecções respiratórias.
Os efeitos também são sentidos pelo sistema cardiovascular. As variações bruscas de temperatura exigem maior esforço do organismo para manter a temperatura corporal, o que pode provocar alterações na pressão arterial, aumento da frequência cardíaca e maior demanda do coração. Em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), essas condições podem aumentar o risco de complicações.
De acordo com a cardiologista do Hospital Felício Rocho, Eliana Lopes, as mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma questão ambiental e passaram a representar um desafio importante para a saúde pública. As oscilações bruscas de temperatura e os períodos de baixa umidade exigem um esforço maior do organismo para manter seu equilíbrio. “Nas pessoas com doenças cardiovasculares, esse processo pode favorecer alterações na pressão arterial, aumentar a carga de trabalho do coração e elevar o risco de eventos como infarto e AVC. Já no sistema respiratório, o ar seco e a maior concentração de poluentes irritam as vias aéreas e agravam doenças como asma, bronquite e DPOC. Por isso, é fundamental que a população esteja atenta às condições climáticas, mantenha hábitos preventivos e busque assistência médica diante do agravamento de sintomas“, explica.

Além dos pacientes com doenças crônicas, idosos, crianças, gestantes e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que merecem atenção especial durante os períodos de maior instabilidade climática.
A médica orienta que medidas simples ajudam a reduzir os impactos das condições ambientais sobre a saúde. Manter uma boa hidratação, evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes e secos, utilizar soro fisiológico para hidratar as vias nasais, manter os ambientes limpos e ventilados e seguir corretamente o tratamento de doenças preexistentes são algumas das recomendações. Também é importante procurar atendimento médico diante de sintomas como falta de ar, dor no peito, chiado persistente, febre ou piora de doenças já diagnosticadas.
Com a tendência de eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, a adoção de medidas preventivas e o acompanhamento regular da saúde tornam-se aliados importantes para minimizar os impactos das mudanças climáticas sobre o sistema respiratório e cardiovascular.



