Fundada em 1975 no bairro São Francisco, região da Pampulha, a Clínica de Transição Paulo de Tarso foi pioneira no Brasil e é hoje a única instituição de Minas Gerais dedicada exclusivamente a cuidados de transição no SUS— o elo entre a alta hospitalar e o retorno seguro do paciente para casa. Mais de cinco décadas depois de sua fundação, a unidade está no centro de um projeto que pode ampliar significativamente sua contribuição ao SUS em Belo Horizonte: a conversão integral de sua estrutura para atendimento 100% SUS, com 134 leitos dedicados à rede pública.
A proposta foi apresentada em reunião realizada em 5 de agosto, na sede do Ministério da Saúde, em Brasília, ao secretário adjunto de Atenção Especializada à Saúde, Carlos Amilcar Salgado. Participou do encontro a presidente da Federassantas Minas Gerais, Kátia Rocha, entidade que representa hospitais filantrópicos e de cuidados de transição no estado. O projeto já foi aprovado tecnicamente pela Comissão Intergestores Bipartite de Minas Gerais (CIB-SUS/MG) e aguarda agora a etapa final de tramitação na esfera federal.
“Não estamos pedindo recursos para construir algo novo. A estrutura, a equipe e a experiência já existem — o que pedimos é o reconhecimento financeiro necessário para colocar essa capacidade a serviço do SUS de forma plena e imediata”, afirma Carlos Eduardo dos Santos Costa, CEO da Rede Paulo de Tarso.
Um modelo com precedente recente em Belo Horizonte
A proposta segue um caminho já testado pela rede de saúde da capital. Em 2025, o Hospital Luxemburgo, unidade do Instituto Mário Penna, passou por processo semelhante: de 85% para 100% de atendimento pelo SUS, com autorização formalizada pelo Ministério da Saúde e ampliação da capacidade de 200 para mais de 300 leitos, incluindo expansão de leitos de UTI. O caso é citado pelo setor como referência de como parcerias entre hospitais filantrópicos, estado e União podem ampliar rapidamente a oferta pública de saúde sem necessidade de novas construções.
Estrutura pronta, sem necessidade de obras
Segundo a organização, a conversão do Hospital Paulo de Tarso não depende de investimento em infraestrutura. Hoje a unidade opera com 125 leitos instalados, sendo 88 destinados ao SUS e 37 à saúde suplementar. Com a aprovação do incremento ao Teto MAC, todos os 125 leitos passam a integrar o SUS — e, como os quartos hoje reservados à saúde suplementar operam majoritariamente com apenas 1 leito, contra 2 a 3 leitos nas alas já destinadas ao SUS, a reorganização desses espaços permite ampliar a capacidade em mais 9 leitos, totalizando 134 leitos 100% SUS. A estrutura física e a equipe já capacitada permitem operação em capacidade plena assim que o processo for concluído.
O projeto prevê:
- 134 leitos de cuidados de transição, resultado da conversão integral dos 125 leitos já instalados somada à reorganização de 9 leitos adicionais
- R$ 16,8 milhões/ano em incremento estimado no Teto MAC (Média e Alta Complexidade) de Belo Horizonte
- 50 mil atendimentos-dia estimados por ano, em capacidade plena
- Etapa técnica concluída em âmbito estadual, com processo em análise final no Ministério da Saúde
Por que leitos de transição pesam na rede
O tema chega em um momento em que a Prefeitura de Belo Horizonte tem reforçado publicamente os resultados de sua rede de saúde: segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, as desospitalizações — quando pacientes deixam o ambiente hospitalar para continuar o tratamento com segurança em outros níveis de assistência — cresceram 14% no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, dentro de uma estratégia municipal de integrar melhor os diferentes elos da rede assistencial. A capital também é hoje referência regional em saúde pública: cerca de 45% das internações do SUS-BH atendem pacientes de outras cidades da região metropolitana e do interior de Minas Gerais.
Segundo a Rede Paulo de Tarso, a lógica dos leitos de transição reforça exatamente essa engrenagem: ao acolher pacientes em fase de recuperação prolongada — que não demandam mais estrutura de UTI, mas ainda não têm condições de alta total —, esses leitos ajudam a liberar vagas de alta complexidade em outros hospitais da rede, contribuindo para reduzir filas em prontos-socorros e taxas de reinternação, além de permitir que pacientes voltem para casa com mais segurança e qualidade de vida, perto da família.
Em suas próprias palavras, o CEO Carlos Costa resumiu o impacto do pleito:
“Não é só ampliar leitos – é liberar leitos de alta complexidade e reduzir a reinternação desses pacientes.“
Próximos passos
A direção do Hospital Paulo de Tarso destaca o caráter técnico do projeto, construído em diálogo com as instâncias estadual e federal de gestão do SUS, e reconhece o histórico de investimento do Ministério da Saúde e da Prefeitura de Belo Horizonte no fortalecimento da rede pública. A expectativa da instituição é de que o processo avance nas próximas semanas e que os 134 leitos passem a integrar de forma plena a rede pública de saúde de Belo Horizonte.
Sobre a Clínica de Transição Paulo de Tarso Fundada em 1975, a Clínica de Transição Paulo de Tarso é pioneira no Brasil e o único hospital especializado de Minas Gerais em cuidados de transição, o elo entre hospitais gerais e o retorno seguro do paciente ao domicílio. Integra a Rede Paulo de Tarso e atua em parceria com hospitais, operadoras de saúde e o SUS.



