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Beleza que gera negócios: Minas avançaem uma das cadeias mais promissoras do país

Mais do que um mercado impulsionado pela beleza e pelo bem-estar, o setor de perfumaria e cosméticos tornou-se uma das cadeias mais dinâmicas da economia brasileira. Reunindo indústria, distribuição, varejo, inovação e comércio eletrônico, o segmento atravessa um período de transformação, marcado por mudanças no comportamento do consumidor, digitalização das vendas e novas formas de consumo. É neste cenário que Minas Gerais amplia sua relevância nacional.

Estudo inédito desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG revela que o Estado consolidou-se como o segundo maior polo brasileiro da cadeia de perfumaria e cosméticos, respondendo por 9% de todos os estabelecimentos do setor no país, atrás apenas de São Paulo. A posição coloca Minas à frente de economias importantes, como Paraná, Rio de Janeiro e Bahia, evidenciando a força de um mercado que combina produção, distribuição e varejo em praticamente todas as regiões mineiras.

O estudo reúne, pela primeira vez, uma visão integrada da cadeia econômica do setor, contemplando fabricação, comércio atacadista, varejo, geração de empregos formais, comércio exterior, comércio eletrônico e hábitos de consumo dos brasileiros, oferecendo um panorama estratégico para empresários, investidores e entidades representativas.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o desempenho mineiro demonstra que o Estado ocupa uma posição estratégica dentro da indústria nacional da beleza. “O estudo mostra que Minas Gerais não é apenas um grande mercado consumidor. O Estado participa de forma consistente de praticamente todos os elos da cadeia produtiva, desde a fabricação até a distribuição e o varejo. Essa diversificação fortalece a competitividade do setor e amplia sua capacidade de gerar negócios, investimentos e empregos.”

Uma rede presente em todo o Estado

O estudo demonstra que a atividade econômica está distribuída entre diversos polos regionais de Minas Gerais.

Na fabricação de cosméticos, Belo Horizonte lidera o número de estabelecimentos, seguida por Contagem e Uberlândia. Municípios como Uberaba, Juiz de Fora, Ipatinga, Divinópolis e Poços de Caldas também se destacam, demonstrando que a indústria possui presença relevante além da Região Metropolitana.

No atacado, Belo Horizonte concentra mais de 20% dos estabelecimentos, consolidando-se como principal centro de distribuição do setor, enquanto cidades como Extrema, Varginha, Montes Claros e Pouso Alegre reforçam a importância da logística mineira.

Já no varejo, a atividade apresenta elevada capilaridade, acompanhando os principais polos econômicos do Estado e refletindo a força do mercado consumidor mineiro.

Segundo Fernanda Gonçalves, essa distribuição territorial representa uma vantagem competitiva. “Poucos estados apresentam uma cadeia tão distribuída quanto Minas Gerais. Essa presença regional fortalece o ambiente de negócios, aproxima fornecedores e consumidores e torna o setor mais resiliente diante das transformações econômicas.”

Comércio eletrônico impulsiona o crescimento

Se parte da cadeia produtiva mostra um ritmo de expansão mais moderado, o comércio eletrônico vem assumindo papel decisivo para sustentar o crescimento do segmento.

Em 2025, as vendas online de perfumaria e cosméticos movimentaram R$ 14,07 bilhões no Brasil, representando 5% de todo o comércio eletrônico nacional. Em Minas Gerais, o desempenho é ainda mais expressivo.

As operações originadas no Estado movimentaram R$ 2,78 bilhões, fazendo com que perfumaria e cosméticos representassem 7,7% de todo o e-commerce mineiro, participação superior à média nacional. O resultado evidencia a capacidade competitiva das empresas instaladas em Minas, que se destacam mais como origem das vendas do que como destino das compras realizadas pelos consumidores. “O ambiente digital tornou-se um dos principais motores do setor. Minas Gerais demonstra elevada competitividade nesse mercado e amplia sua presença nacional por meio das vendas online, fortalecendo empresas e expandindo mercados consumidores”, afirma Fernanda Gonçalves.

Mercado sólido e consumo recorrente

O estudo também mostra que o crescimento do setor está apoiado em um padrão de consumo contínuo. Produtos para cuidados capilares, maquiagem, desodorantes, hidratantes, perfumes e itens de higiene pessoal concentram a maior parte das vendas, reduzindo a dependência de datas comemorativas e garantindo maior previsibilidade ao varejo.

Embora significativos em períodos como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Black Friday e Natal, esses produtos passaram a integrar a rotina permanente das famílias brasileiras, impulsionados pela valorização do autocuidado e do bem-estar.

Brasil entre os maiores mercados do mundo

O levantamento também reforça o protagonismo brasileiro no cenário internacional.

O Brasil ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores mercados consumidores de beleza e cuidados pessoais do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. O país responde por 43,4% de todo o mercado latino-americano e figura entre os líderes globais em diversas categorias, como fragrâncias, desodorantes, produtos masculinos, proteção solar e cuidados com os cabelos.

Para Fernanda Gonçalves, esse ambiente internacional amplia as oportunidades para Minas Gerais. “Quando observamos a dimensão do mercado brasileiro e a posição que Minas ocupa nessa estrutura, percebemos um enorme potencial para novos investimentos, inovação, fortalecimento das marcas e expansão dos negócios. O setor reúne características que o tornam estratégico para o desenvolvimento econômico do Estado.”

Apesar de o estudo apontar uma desaceleração recente em alguns segmentos da fabricação e da distribuição, o panorama permanece positivo. A combinação entre mercado consumidor robusto, expansão do comércio eletrônico e presença consolidada em toda a cadeia produtiva reforça Minas Gerais como um dos principais protagonistas da indústria brasileira de perfumaria e cosméticos, em um setor que continua gerando emprego, renda e oportunidades para o comércio.

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