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Escassez de mão de obra faz construção civil investir na formação dos próprios profissionais

Encontrar profissionais preparados para trabalhar nos canteiros se tornou um dos principais desafios da construção civil brasileira. Em fevereiro deste ano, 41,6% dos empresários do setor apontaram a falta de mão de obra qualificada como fator limitante aos negócios, o maior percentual registrado para o mês desde 2011, segundo dados da Sondagem da Construção da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O problema tem levado empresas a buscar uma saída que vai além da contratação, com investimentos na formação e no aperfeiçoamento dos próprios trabalhadores. Cursos técnicos, treinamentos nos canteiros e parcerias com instituições de ensino passam a integrar as estratégias para reduzir a distância entre as habilidades disponíveis no mercado e aquelas exigidas por uma construção civil cada vez mais tecnológica e industrializada.

Na Emccamp Residencial, esse movimento ganhou estrutura própria por meio da Emccamp Escola. Somente em 2025, o projeto realizou 40 treinamentos e capacitou 472 profissionais em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os conteúdos vão de atividades diretamente relacionadas ao canteiro, como instalações hidráulicas, drywall, impermeabilização, paredes de concreto, esquadrias e sistema PEX, a temas como operação de drones, ISO 9001 e SIAC/PBQP-H.

“A construção civil vive um momento no qual qualificar deixou de ser apenas uma ação de desenvolvimento e passou a ser uma necessidade estratégica. Quando a formação se aproxima das demandas reais da obra, conseguimos desenvolver profissionais mais preparados e, ao mesmo tempo, fortalecer a qualidade da execução”, aponta Romagno Moraes, Gerente de Qualidade da Emccamp.

A estratégia também inclui parcerias com instituições de ensino para aproximar o aprendizado das demandas dos canteiros. Uma delas é desenvolvida com o SENAI Tatuapé, em São Paulo, onde a primeira turma do curso “Técnicas para Execução e Montagem de Circuitos Elétricos Prediais” acaba de concluir a formação.

Foram 80 horas de aulas teóricas e práticas distribuídas ao longo de dez sábados, entre junho e agosto. Seis colaboradores concluíram o curso, que abordou desde grandezas elétricas, Lei de Ohm e interpretação de diagramas até cabeamento, dispositivos de proteção, dimensionamento de condutores e eletrodutos, normas de segurança e montagem prática de circuitos.

Para a Emccamp, capacitar profissionais que já conhecem a rotina dos canteiros também permite direcionar o aprendizado para situações encontradas no dia a dia da operação. “Não se trata apenas de oferecer um curso, mas de fazer com que esse conhecimento tenha aplicação prática. O colaborador amplia suas competências e a empresa passa a contar com profissionais mais preparados para responder às demandas da obra”, acrescenta Romagno Moraes.

Os certificados da primeira turma foram entregues no dia 17 de setembro, em cerimônia com a participação de Felipe Guerreiro, coordenador do SENAI Tatuapé; Alex Pereira, coordenador de Instalações da Emccamp; e Maurício Raso, diretor da companhia.

A formação se soma a outras iniciativas da Emccamp Escola voltadas às funções técnicas demandadas pelos canteiros. Entre elas está o curso de Montagem de Formas para Paredes de Concreto, também desenvolvido em parceria com o SENAI Tatuapé. A empresa realizou ainda, em parceria com o CEFET-MG, uma capacitação de 160 horas que contou com a participação de 15 mulheres.

Os treinamentos contemplam diferentes perfis profissionais, entre verificadores de serviço, analistas, engenheiros e assistentes, e buscam ampliar tanto o domínio técnico quanto a capacidade de adaptação a novos processos construtivos.

Romagno Moraes avalia que a escassez de profissionais qualificados exige uma atuação mais ampla das empresas. “A falta de mão de obra não se resolve apenas com a abertura de novas vagas. O setor também precisa participar da formação desses profissionais, criar oportunidades de atualização e estimular o desenvolvimento de quem já está dentro das empresas. Esse é um processo que beneficia o trabalhador e ajuda a construção civil a evoluir em qualidade e produtividade”, finaliza.

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