Sucesso de bilheteria do cinema nacional, o filme “Minha Melhor Amiga”, protagonizado pelas amigas Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, traduz com leveza e bom humor os questionamentos na vida das mulheres por volta dos 50 anos e as transformações vividas por essa geração. Entre elas, os sintomas típicos como ondas de calor, baixa libido e ressecamento vaginal. O que a ficção retrata com risadas reflete a vida real de mulheres que chegam a essa fase e descobrem que, por trás da comédia, há uma transição hormonal que pede escuta, exige informação, ciência e zero silêncio.
Segundo levantamento divulgado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério, na faixa dos 40 aos 65 anos, e aproximadamente 9,2 milhões estão na pós-menopausa, entre 50 e 65 anos.
Rotina que não para
Aos 55 anos, a administradora de empresas Maria Antonieta Martins Azevedo, que vive no Jardins em São Paulo, é o retrato dessa geração que redefiniu o próprio ritmo. Com uma rotina intensa como consultora no setor de dispositivos médicos, ela divide o tempo entre trabalho, treinamentos corporativos, atividades físicas, viagens e encontros com amigos. Por volta dos 48 anos, começou a notar os primeiros sinais da menopausa. “Notei a pele mais ressecada e com menos elasticidade, tive vontade louca de doce, desânimo, calor noturno, ganho de peso e, para culminar, baixa libido”. Aos 50, com a menopausa confirmada e os sintomas mais intensos, ela decidiu procurar ajuda médica.
Depois de passar por uma bateria de exames solicitada em acompanhamento multidisciplinar com ginecologista, endocrinologista e cardiologista, este último devido a um quadro de colesterol alto, iniciou a terapia hormonal com gel de estradiol e progesterona em comprimidos. “Depois de 60 dias, voltei a ter disposição, minha libido melhorou, os calorões sumiram e retomei o pique para os exercícios. É um conjunto de escolhas”, conta.
Livre de preconceitos, Maria Antonieta rebate o receio que ainda paralisa muita gente. “Existe vergonha, medo e o fantasma do câncer, mas, sem histórico familiar de risco e com avaliação médica rigorosa, a reposição devolveu minha qualidade de vida. Eu sempre falo com minhas amigas que reposição, quando indicada por profissionais qualificados, é tudo de bom. Para mim, reposição é vida.”

O que diz a ciência
Para transitar por essa fase com segurança, o olhar clínico é insubstituível. O ginecologista Clayton Fortunato, especialista da Hapvida, explica que a menopausa corresponde à última menstruação, reconhecida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não há outra causa para a ausência dos ciclos. A perimenopausa é a fase de transição em que os hormônios oscilam e o padrão menstrual pode mudar.
Essa transição faz parte do climatério, período que abrange as mudanças relacionadas à redução da função ovariana antes e depois da menopausa. Na pós-menopausa, os níveis de estradiol permanecem mais baixos e cessa a produção cíclica de progesterona pelos ovários.
“As manifestações clínicas variam bastante de uma mulher para outra, mas costumam envolver ondas de calor, alterações no sono, oscilações de humor, ressecamento vaginal, queda na libido e modificações no metabolismo com tendência ao acúmulo de gordura abdominal e alteração lipídica”, explica. Por isso, a avaliação médica é individualizada e considera histórico clínico, queixas e, quando necessários, exames complementares, além de fatores como risco cardiovascular e histórico oncológico pessoal e familiar.
Para ondas de calor que prejudicam a qualidade de vida, a terapia hormonal é o tratamento mais eficaz, quando indicada após avaliação individual. Se a mulher tem útero e usa estrogênio sistêmico, é necessário associar um progestagênio para proteger o endométrio. Para ressecamento vaginal isolado, pode-se indicar tratamento local. Há também opções não hormonais para quem não pode ou não deseja usar terapia hormonal sistêmica. Alimentação adequada, atividade física e cuidados com a saúde mental integram o acompanhamento nessa fase.
“A menopausa não deve ser vista como uma doença e muito menos um ponto final na vida da mulher. É uma virada de chave natural, uma fase de reinvenção de quem continua inteira, vibrante e dona da própria história. Quando a mulher encontra acolhimento no consultório, faz uma avaliação com calma, caminha lado a lado com a ginecologia humanizada e mantém o corpo ativo aliado ao cuidado com a mente, ela resgata a autonomia e a alegria de viver com intensidade total”, pontua o especialista da Hapvida.


