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Tratamento do câncer de mama pode comprometer fertilidade, mas há alternativas para preservá-la

Receber o diagnóstico de câncer de mama traz uma série de preocupações, especialmente para mulheres que ainda desejam ter filhos – no Brasil, cerca de 15% dessas pacientes têm menos de 40 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além dos desafios relacionados ao tratamento da doença, os possíveis impactos da terapia oncológica sobre a fertilidade representam uma preocupação adicional, que nem sempre recebe a devida atenção.

Procedimentos como a quimioterapia podem afetar a função dos ovários e, em alguns casos, dificultar ou até inviabilizar uma gravidez futura. A boa notícia é que os avanços da medicina reprodutiva oferecem alternativas para preservar as chances de maternidade.

O tema ganha relevância durante o Outubro Rosa, campanha voltada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, mas que também abre espaço para discutir a qualidade de vida das pacientes após o tratamento.

Segundo o ginecologista e especialista em reprodução assistida da Huntington Pró-Criar, Dr. Ricardo Marinho, as chances de cura do câncer de mama podem chegar a 90% quando a doença é diagnosticada precocemente, dependendo das características do tumor. Nesse cenário, pensar no futuro reprodutivo da paciente também deve fazer parte dos cuidados desde o diagnóstico.

“Os avanços no tratamento oncológico têm permitido que cada vez mais mulheres superem a doença. Por isso, é fundamental que aquelas que desejam ter filhos sejam informadas sobre os possíveis impactos do tratamento na fertilidade e conheçam as alternativas disponíveis para preservá-la”, explica.

A oncofertilidade, área que integra a oncologia e a medicina reprodutiva, reúne técnicas destinadas a preservar as possibilidades de uma gravidez futura. A escolha do procedimento depende de fatores como a idade da paciente, a reserva ovariana, o tipo de tratamento indicado e o tempo disponível antes de seu início. Essa avaliação deve ser feita de forma conjunta pelos especialistas em reprodução assistida e pela equipe oncológica.

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Dr. Ricardo Marinho – Crédito Jonas Lavarini.

Quais são as alternativas?

Entre as principais opções estão o congelamento de óvulos e o de embriões, técnicas que permitem preservar material reprodutivo para uma possível utilização após o tratamento do câncer. A indicação depende das condições clínicas e dos planos reprodutivos de cada mulher.

Em situações específicas, quando não é possível realizar a estimulação ovariana antes do início do tratamento, uma alternativa é a criopreservação de tecido ovariano. Nesse procedimento, fragmentos do ovário são retirados e congelados para eventual reimplante futuro, após avaliação e liberação da equipe médica. A técnica pode permitir a recuperação da função ovariana e, em alguns casos, possibilitar uma gravidez espontânea ou por reprodução assistida.

“Embora tenha indicações específicas e algumas limitações, a criopreservação de tecido ovariano já não é considerada experimental. É mais uma possibilidade que pode ser avaliada de acordo com a situação de cada paciente”, esclarece Ricardo Marinho.

Outra possibilidade seria a utilização de medicamentos durante a quimioterapia, na tentativa de proteger os ovários, mas com resultados ainda inconsistentes.

Para o especialista, mais importante do que a escolha de uma técnica é garantir que a mulher tenha acesso à informação no momento adequado. Isso porque algumas das alternativas precisam ser realizadas antes do início do tratamento oncológico.

“Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer, naturalmente toda a atenção se volta para o tratamento da doença. Mas é importante que ela saiba, desde o início, que existem possibilidades de preservar sua fertilidade. Essa orientação permite que participe das decisões sobre o tratamento considerando também seus projetos de vida e o desejo de ser mãe no futuro”, conclui.

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