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Dia Nacional do Livro: pesquisa aponta desigualdade no acesso a livrarias no Brasil e crescimento de 12,7% em Minas Gerais

Levantamento do IPC Maps mostra que 3.549 municípios brasileiros não possuem livrarias. Em Minas Gerais, 588 das 853 cidades não contam com estabelecimentos do segmento, apesar do crescimento registrado em 2026.

Celebrado em 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro marca a fundação, em 1810, da Biblioteca Nacional do Brasil, considerada uma das mais antigas instituições culturais do País. A data reforça a importância da leitura para a formação educacional, cultural e crítica da população. No entanto, o acesso físico aos livros ainda representa um desafio em grande parte do território nacional.

Um levantamento realizado pelo IPC Maps revela que, dos 5.571 municípios brasileiros, apenas 2.022 contam com estabelecimentos do comércio varejista de livros. Isso significa que 3.549 cidades não possuem sequer uma livraria, evidenciando a desigualdade na distribuição desses espaços pelo País.

Norte e Centro-Oeste têm menor presença de livrarias

Entre as regiões brasileiras, o Norte apresenta o menor número de estabelecimentos do segmento, com 940 comércios varejistas de livros. Mesmo em municípios com mais de 50 mil habitantes, há localidades sem livrarias, como Moju, Alenquer e Viseu, no Pará; Iranduba e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas; e Jaru, em Rondônia.

O Centro-Oeste também enfrenta dificuldades, com 1.552 estabelecimentos. Entre os municípios sem livrarias está Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul.

No Nordeste, são 3.838 lojas. A ausência desses estabelecimentos em cidades como Casa Nova e Euclides da Cunha, na Bahia; Bezerros, em Pernambuco; Tauá, no Ceará; Marechal Deodoro, em Alagoas; e Coroatá, no Maranhão, também chama a atenção.

A Região Sul contabiliza 4.399 estabelecimentos do segmento. Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes, Tijucas, em Santa Catarina, aparece como uma das cidades sem livraria.

Já o Sudeste se destaca, com quase 11 mil livrarias, presentes em todos os municípios com população superior a 50 mil habitantes, segundo o levantamento.

Comércio de livros cresce 9,2% no Brasil

Apesar das desigualdades regionais, o comércio varejista de livros apresentou crescimento em 2026. De acordo com o IPC Maps, o número de estabelecimentos do segmento aumentou 9,2% em relação a 2025, chegando a 21.647 em todo o território nacional.

O resultado indica expansão do setor, embora a presença de livrarias continue concentrada em parte dos municípios brasileiros. A distribuição desses estabelecimentos é um dos fatores que ajudam a compreender os desafios para ampliar o acesso aos livros e estimular o hábito da leitura.

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Divulgação

Minas Gerais registra crescimento de 12,7% no número de livrarias

Em Minas Gerais, o crescimento do comércio varejista de livros foi superior à média nacional. O estado registrou alta de 12,7% em 2026, na comparação com o ano anterior, e conta atualmente com 1.976 estabelecimentos do segmento, conforme o levantamento do IPC Maps.

Apesar do avanço, o acesso às livrarias permanece desigual entre os municípios mineiros. Dos 853 municípios do estado, 588 não possuem nenhuma livraria, enquanto 265 contam com pelo menos um estabelecimento.

Para compreender esse cenário, o Portal BH Em Pauta conversou com Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, sobre o desempenho do mercado livreiro em Minas Gerais, os desafios para ampliar o acesso aos livros e as oportunidades para incentivar a leitura em cidades com pouca oferta de estabelecimentos especializados.

Entrevista: crescimento do setor e desafios para ampliar o acesso à leitura

Portal BH Em Pauta — Qual é o cenário de Minas Gerais em relação ao comércio varejista de livros? Quantas livrarias existem atualmente no estado e em quantos municípios mineiros há estabelecimentos desse segmento?

Marcos Pazzini: O cenário é muito positivo, pois houve crescimento de 12,7% na quantidade de estabelecimentos do comércio varejista de livros, percentual superior à média nacional, de 9,2%. Minas Gerais conta atualmente com 1.976 livrarias. Dos 853 municípios mineiros, apenas 265 possuem pelo menos um estabelecimento desse tipo.

Portal BH Em Pauta — Como o mercado livreiro mineiro se comportou em 2026? Houve crescimento ou retração no número de livrarias em comparação com 2025?

Marcos Pazzini: Houve crescimento de 12,7% na quantidade de livrarias em 2026, em comparação com os números de 2025. O percentual é bem superior à média nacional, de 9,2%.

Portal BH Em Pauta — Quais são os dados regionais sobre o consumo e o acesso aos livros em Minas Gerais? O levantamento traz informações sobre o número de estabelecimentos por município ou região, além de dados sobre o faturamento do setor ou os hábitos de leitura da população mineira?

Marcos Pazzini: Minas Gerais possui 853 municípios, dos quais 588 não têm nenhuma livraria. Os outros 265 contam com pelo menos um estabelecimento do segmento. Esse cenário demonstra como a educação, de modo geral, ainda é tratada por parte da população mais como despesa do que como investimento.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que há muito espaço a ser explorado pelas empresas do setor, por meio da organização de encontros e feiras literárias em cidades onde o investimento nessa área é pequeno.

Somente levando as pessoas até esses espaços, principalmente as crianças, é que o setor poderá atingir todo o seu potencial de crescimento.

A pesquisa IPC Maps abrange tanto os valores gastos pela população com livros no ano vigente e nos anos anteriores quanto a quantidade de estabelecimentos comerciais do setor. Os dados estão disponíveis para o Brasil, as cinco regiões, as unidades da Federação e os municípios.

Incentivar a leitura também exige ampliar o acesso

Os números apresentados pelo IPC Maps mostram um contraste: enquanto o comércio varejista de livros cresce no Brasil e em Minas Gerais, milhares de municípios ainda não dispõem de livrarias. A distância até esses estabelecimentos pode representar uma barreira adicional para quem deseja comprar livros e frequentar espaços dedicados à literatura.

Na avaliação de Marcos Pazzini, a realização de feiras, encontros literários e outras iniciativas em cidades com pouca oferta de estabelecimentos pode contribuir para aproximar a população dos livros. A participação das crianças nessas atividades também é apontada como um caminho para estimular o interesse pela leitura desde cedo.

No Dia Nacional do Livro, o cenário reforça que promover a leitura vai além de celebrar a importância das obras literárias: envolve criar oportunidades para que mais pessoas tenham contato com os livros e encontrem espaços para desenvolver esse hábito.

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