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Novo Orelhão recebe investimento em engenharia industrial e aposta na publicidade para financiar serviços gratuitos nas ruas do Brasil

A volta do Orelhão às ruas do Brasil, prevista para começar em Belo Horizonte no dia 10 de novembro, representa também o nascimento de um novo modelo de negócios que combina infraestrutura urbana, engenharia industrial, tecnologia e publicidade. Idealizado pelo empreendedor André Souza, com trajetória na economia criativa e no desenvolvimento de projetos de inovação, o projeto pretende transformar um dos maiores símbolos do design brasileiro em uma rede nacional de serviços gratuitos para trabalhadores das ruas, financiada pelo mercado publicitário.

“Passamos 18 meses pesquisando como transformar um ícone do mobiliário urbano em um produto industrial, resistente, escalável e útil no dia a dia de quem trabalha nas ruas”, afirma Souza. “A publicidade é o motor que permite oferecer água gelada e micro-ondas sem cobrar nada do trabalhador”, afirma André Souza.

O desenvolvimento exigiu mudanças profundas na estrutura original criada pela arquiteta Chu Ming Silveira em 1971. A cúpula de fibra de vidro, pesada e de fabricação pouco padronizada, deu lugar a uma estrutura industrializada em ABS, mais leve, com proteção contra radiação ultravioleta e acabamento em pintura automotiva de alto brilho. A nova arquitetura incorpora carenagens em aço carbono e alumínio, concebidas para oferecer resistência, durabilidade e facilidade de manutenção em ambientes externos.

Um dos principais desafios foi transformar uma peça histórica do mobiliário urbano em um produto capaz de ser fabricado e distribuído em grande escala. Para isso, toda a estrutura foi desenvolvida com componentes modulares, padronizados e organizados em kits, permitindo transporte simplificado, montagem rápida e instalação em diferentes regiões do Brasil. O desenvolvimento contou com engenheiros eletromecânicos e projetistas industriais com experiência na indústria automobilística.

A engenharia dos equipamentos internos recebeu atenção especial. Para o uso intensivo nas ruas, foi desenvolvido sob demanda um sistema industrial de refrigeração de água, com capacidade para fornecer mais de 15 litros por hora, entre 10 °C e 14 °C. O micro-ondas segue especificações industriais: construção robusta em aço inox, interna e externamente, ausência de prato giratório e capacidade projetada para até 200 utilizações diárias. A proposta é garantir operações rápidas, equipamentos resistentes e manutenção simplificada. O custo estimado de fabricação de cada Orelhão completo é de R$ 30 mil, incluindo estrutura, equipamentos industriais e sistemas embarcados. O objetivo é chegar a 2 mil pontos em todo o país dentro de um ano.

Publicidade financiará a operação e o acesso gratuito

Diferentemente de equipamentos públicos tradicionais, o modelo econômico do novo Orelhão foi estruturado para não depender da cobrança dos usuários. A receita será gerada pela comercialização de espaços publicitários, combinando patrocínio master, exposição estática de marcas e uma plataforma proprietária de mídia sonora inteligente.

“Cada unidade poderá reunir um patrocinador principal, com presença de destaque na cúpula, quatro espaços publicitários estáticos na estrutura frontal e pelo menos dez anunciantes na programação de mídia sonora. O inventário comercial projetado contempla, portanto, 15 marcas por Orelhão, criando possibilidades de investimento para grandes anunciantes nacionais e empresas regionais”, detalha André Souza.

Entre os potenciais patrocinadores estão marcas ligadas à mobilidade e às entregas, como Uber, 99 e iFood, além de instituições financeiras, fabricantes de alimentos, empresas de tecnologia e grandes marcas de consumo. O objetivo é permitir que essas companhias financiem pontos de apoio para seus parceiros e demais trabalhadores das ruas, sem precisar assumir a instalação, a limpeza, a manutenção ou a operação dos equipamentos.

A proposta também representa uma nova possibilidade para o mercado de mídia exterior, o Out of Home (OOH). Em vez de apenas ocupar espaços de circulação para exibir mensagens publicitárias, as marcas passam a estar presentes em um equipamento que oferece benefícios concretos à população.

O projeto trabalha com uma receita publicitária média potencial de R$ 20 mil mensais por unidade. Já os custos recorrentes estimados de água, energia, limpeza e manutenção são de R$ 2 mil mensais por equipamento, sem incluir custos comerciais, administrativos e de implantação da rede. Os valores de receita são projeções do modelo de negócios, ainda dependentes da contratação de anunciantes e da maturação comercial dos pontos instalados.

O momento também é favorável, de acordo com André Souza. Ele cita o CENP-Meios (painel estatístico mantido pelo Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário que mede e centraliza os investimentos em mídia feitos por agências de publicidade no Brasil), que aponta o segmento de mídia exterior tendo recebido cerca de R$ 1,8 bilhão em investimentos publicitários no primeiro semestre de 2026, o que representa 13,4% do total medido. O novo Orelhão pretende disputar parte desse mercado oferecendo um inventário associado à utilidade pública, à presença territorial e ao contato recorrente com consumidores.Foto: Divulgação

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