A proximidade do Natal, uma das principais datas para o comércio, não deve provocar uma ampliação significativa das equipes de trabalho neste fim de ano. Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) revela que apenas 9,9% dos estabelecimentos entrevistados pretendem contratar funcionários temporários em 2026. Em contrapartida, 88,9% não planejam realizar novas contratações.
O levantamento ouviu 413 empresas de Belo Horizonte, Betim, Contagem e Uberlândia, entre os dias 19 e 27 de outubro. Os resultados indicam que a maioria dos empresários pretende atender à movimentação de fim de ano com a estrutura de pessoal já existente.
Entre os estabelecimentos que não planejam contratar temporários, 71,9% afirmam que o atual quadro de funcionários é suficiente para atender às necessidades do negócio. Outros 12,8% apontam a expectativa de baixa demanda e vendas, enquanto 8,2% mencionam limitações financeiras e econômicas.
Apesar da baixa intenção de contratação temporária, 25,9% das empresas pesquisadas informam possuir vagas abertas para funcionários permanentes, indicando que as oportunidades de trabalho no comércio não estão restritas aos contratos de fim de ano.
Contratação de temporários permanece em patamar reduzido
A intenção de contratar trabalhadores temporários em 2026 (9,9%) é próxima dos 10,4% registrados em 2024. Na comparação com 2023, quando 17,1% dos empresários manifestaram interesse em ampliar as equipes, houve uma redução de 7,2 pontos percentuais.
Em 2025, o cenário foi ainda mais restritivo: 90,9% das empresas informaram que não pretendiam contratar temporários. Em 2026, esse percentual caiu para 88,9%, indicando uma pequena melhora na disposição dos comerciantes para ampliar as equipes.
Ainda assim, os números mostram que a contratação temporária continua sendo uma estratégia adotada por uma parcela reduzida dos estabelecimentos pesquisados.
Vendedores e operadores de caixa lideram as oportunidades
Nas empresas que pretendem contratar temporários, as vagas estão concentradas principalmente nas atividades de vendas e atendimento ao consumidor.
A função de vendedor lidera as intenções de contratação, mencionada por 56,1% dos estabelecimentos contratantes. Em seguida aparecem os operadores de caixa, com 29,3%.
Atendentes e estoquistas foram citados por 17,1% das empresas, cada. Já os empacotadores representam 7,3% das intenções de contratação, enquanto os fiscais de loja somam 4,9%.
Os dados demonstram que o reforço das equipes deve priorizar funções diretamente ligadas ao atendimento, às vendas e à organização das mercadorias.
Falta de experiência dificulta processos seletivos
Encontrar profissionais com o perfil desejado também representa um desafio para os estabelecimentos que pretendem contratar. A falta de experiência é apontada por 34,1% dessas empresas como uma das principais dificuldades nos processos seletivos.
A falta de capacitação profissional aparece em seguida, com 19,5% das respostas, enquanto 17,1% mencionam a falta de profissionalismo dos candidatos. Outros 7,3% relatam dificuldades para encontrar trabalhadores com o perfil adequado às funções disponíveis.
Por outro lado, 24,4% das empresas que planejam contratar afirmam não enfrentar obstáculos na seleção.
Os resultados reforçam a importância da experiência e da qualificação profissional para quem busca uma oportunidade no comércio durante o período natalino.
Contratos temporários podem resultar em efetivação
A pesquisa também avaliou as possibilidades de contratação definitiva dos trabalhadores admitidos temporariamente para o fim de ano.
Entre as empresas que pretendem contratar e avaliaram essa possibilidade, 34,8% consideram média a chance de efetivação, enquanto 32,6% classificam essa possibilidade como baixa.
Outros 13% avaliam as chances como altas e 6,5% como muito altas. Já 13% consideram a possibilidade muito baixa ou nula.
Entre os estabelecimentos que preveem efetivar temporários, janeiro é o mês mais citado para a contratação definitiva, com 42,9% das respostas. Dezembro aparece em seguida, com 23,8%, enquanto fevereiro concentra 19% e março, 9,5%.
Os números indicam que, embora a efetivação não seja uma perspectiva predominante, parte dos contratos temporários poderá abrir caminho para oportunidades permanentes nos primeiros meses de 2027.
Uma em cada quatro empresas tem vagas permanentes abertas
Outro dado relevante do levantamento é a disponibilidade de postos de trabalho fixos. Segundo a Fecomércio MG, 25,9% dos estabelecimentos entrevistados afirmam possuir vagas abertas para integrar o quadro permanente de funcionários. Outros 73,6% não apresentam oportunidades disponíveis no momento.
A pesquisa também investigou as experiências das empresas com processos seletivos realizados nos últimos 12 meses. Nesse período, 19,4% dos estabelecimentos enfrentaram dificuldades para contratar, mas conseguiram preencher as vagas. Outros 10,9% tiveram obstáculos e não conseguiram concluir as contratações.
Entre os principais fatores que dificultaram o preenchimento dos postos de trabalho, a falta de interesse dos candidatos lidera, com 47,2% das respostas. Na sequência aparecem a falta de mão de obra, com 35,2%, e a ausência de qualificação profissional adequada, com 25,6%. A incompatibilidade de horários também foi mencionada por 13,6% dos entrevistados.
Os resultados apontam que os desafios do comércio vão além da intenção de ampliar as equipes para o Natal e envolvem também a disponibilidade de profissionais e a adequação dos candidatos às exigências das vagas permanentes.
Comércio aposta nas equipes atuais para atender à demanda de Natal
A pesquisa da Fecomércio MG mostra que a maioria dos comerciantes pretende atravessar o período natalino sem ampliar temporariamente o quadro de funcionários. Para os estabelecimentos que planejam contratar, as oportunidades estão concentradas principalmente nas áreas de vendas e atendimento.
Ao mesmo tempo, a existência de vagas permanentes e a possibilidade de efetivação de parte dos trabalhadores temporários indicam outras oportunidades de ingresso no mercado de trabalho.
Para quem busca uma colocação no comércio, experiência profissional, qualificação e preparo para as funções continuam sendo diferenciais importantes diante das exigências apontadas pelos empregadores.



