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Peça mineira “O filho, a mãe e o bicho” aborda abandono, violência e os limites da justiça

As relações entre abandono, violência e responsabilidade são o ponto de partida de “O filho, a mãe e o bicho”, espetáculo escrito e dirigido por Apolo Oliveiras, que será apresentado de 6 a 8 de novembro, no Galpão 4 do Complexo Cultural Funarte MG, em Belo Horizonte.

A peça acompanha quatro personagens que se encontram em um mesmo espaço de espera, cada um marcado por uma história particular e por diferentes concepções de justiça. Entre lembranças, conflitos e revelações, suas trajetórias se cruzam e colocam em evidência as contradições que surgem quando os limites entre vítima e responsável se tornam difusos.

A partir de situações íntimas e familiares, a dramaturgia amplia o olhar para as diferentes formas de violência presentes na sociedade. A negligência do Estado e a violência geracional também atravessam a narrativa, aproximando conflitos individuais de questões sociais mais amplas.

Em um ambiente marcado pela espera, os personagens precisam confrontar tanto aquilo que fizeram quanto o que sofreram. A encenação questiona as fronteiras entre escolha e consequência, justiça institucional e reparação individual. Nesse contexto, a justiça não aparece como uma resposta definitiva, mas como uma questão que acompanha toda a peça: quem deve ser responsabilizado quando uma vida é marcada pelo abandono?

Estreia na dramaturgia e criação coletiva

O texto começou a ser desenvolvido no Núcleo de Pesquisa em Dramaturgia do Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte, sob a coordenação de Vinícius de Souza. Em junho de 2026, o projeto ganhou uma nova etapa com a ocupação do Teatro Espanca, onde teve início o processo de criação do espetáculo, acompanhado de um ensaio aberto ao público.

A montagem marca a estreia de Apolo Oliveiras como dramaturgo e diretor, consolidando uma investigação artística sobre dramaturgia, corpo e relações humanas.

Realizado de forma independente, sem investimento público ou privado, o espetáculo é resultado de uma construção coletiva entre artistas em início de carreira. A maioria dos integrantes da equipe se conheceu no Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART), do Palácio das Artes, enquanto outros já mantinham vínculos com a cena cultural de Belo Horizonte.

Com uma equipe formada por profissionais que estão iniciando suas trajetórias, a montagem também representa o encontro de diferentes experiências e percursos artísticos. O trabalho integra o movimento de uma nova geração de artistas que busca contribuir para a construção e a renovação do teatro mineiro.

Ao reunir histórias cotidianas e acontecimentos extremos, “O filho, a mãe e o bicho” convida o público a refletir sobre os efeitos da violência nas relações humanas e os limites da responsabilização em uma sociedade na qual nem todos têm as mesmas condições de escolha, proteção e reparação.

Serviço
Espetáculo: O filho, a mãe e o bicho
Datas: 6 a 8 de novembro de 2026.
Horários: sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h.
Local: Galpão 4 do Complexo Cultural Funarte MG – Rua Januária, 68, Centro, Belo Horizonte.
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).
Vendas on-line: Sympla – O filho, a mãe e o bicho.
Duração: 70 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.

Ficha técnica

  • Elenco: Laura Reder, Kaline Barboza, Giulliano Marques e Bernardo Franco.
  • Texto e direção: Apolo Oliveiras.
  • Produção: Izadhora Cristina.
  • Iluminação: Felipe Gontijo e Guilherme Romero.
  • Sonoplastia: Stherego.
  • Direção de arte: Cadu Barletta.
  • Design: Olivia Lloyd.
  • Fotografia: Luiza Rocha.
  • Apoio: Thaddeus e Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART).

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