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Projeto de requalificação do Iate Tênis Clube será apresentado ao público no dia 18 de novembro

A recuperação de um dos marcos da arquitetura moderna brasileira e a criação de duas áreas abertas à população estão no centro do projeto de requalificação do Iate Tênis Clube, que será apresentado no dia 18 de novembro, quarta-feira, às 15h, na sede da instituição, em Belo Horizonte. Desenvolvida em parceria com a Fundação Oscar Niemeyer, a iniciativa prevê a restauração do edifício original, conhecido como Salão Portinari, a recuperação dos jardins de Burle Marx e a reorganização dos espaços do clube para restabelecer sua relação com a paisagem da Pampulha.

A proposta busca conciliar a preservação do patrimônio com a continuidade das atividades esportivas e sociais que caracterizam o Iate desde sua inauguração, em 1943. Entre as principais intervenções estão a demolição do segundo pavimento do anexo e da piscina suspensa, a readequação das instalações e a abertura de um jardim e de uma praça com mirante à fruição pública. O estudo prévio teve parecer favorável da UNESCO e foi aprovado pelas instâncias municipal, estadual e federal de proteção de patrimônio cultural.

“Assumir a requalificação representa a oportunidade de solucionar uma demanda complexa e que já vem de muitos anos”, afirma o vice-presidente do Iate Tênis Clube, Francisco Campos Pires de Morais. Para ele, o projeto permitirá atender às diretrizes de preservação relacionadas ao reconhecimento da Pampulha como Patrimônio Mundial e oferecer melhores condições de lazer, esportes, cultura e entretenimento aos associados.

Recuperação da arquitetura e da paisagem

A proposta de requalificação está sendo elaborada pela empresa Tempo Plural, contratada pelo Clube, e conta com equipe multidisciplinar de especialistas em patrimônio cultural. Flávio Carsalade, arquiteto que compõe a equipe, explica que as intervenções pretendem recuperar a visibilidade do edifício de Oscar Niemeyer e sua integração com os demais elementos do conjunto. “As intervenções previstas articulam as diretrizes de preservação, as recomendações da Unesco e a requalificação total do clube e da paisagem da Pampulha”, afirma.

A proposta prevê a restauração da área original que inclui o salão Portinari, as piscinas contíguas e o Jardim Burle Marx. No edifício original serão retomadas as feições da época de sua inauguração como a reconstrução da concha acústica, a recolocação das obras de arte em suas estruturas originais, além de adaptações às exigências atuais de prevenção de incêndio e acessibilidade universal. As ações de paisagismo preveem a restauração do jardim junto à edificação original com projeto de Burle Marx.

Nas demais áreas do clube, serão reorganizadas as quadras, as áreas de circulação, os vestiários e as áreas administrativas. No edifício anexo, o pavimento térreo será mantido e reconfigurado para receber instalações necessárias ao funcionamento do clube.

Duas áreas abertas à população

A requalificação prevê duas áreas de acesso público: o jardim de Burle Marx contíguo ao edifício original e a praça na cobertura do pavimento remanescente do anexo, ao nível da Avenida Otacílio Negrão de Lima. Essa esplanada funcionará como mirante, permitindo observar a edificação do Salão Portinari, a Igreja de São Francisco de Assis e o antigo Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha. “O Iate oferece à população de Belo Horizonte duas novas e belas praças públicas, dignas do Patrimônio Mundial”, destaca Carsalade.

A historiadora, especialista em patrimônio cultural, Michele Arroyo, que integra a equipe multidisciplinar da Tempo Plural, explica que a solução resultou de um processo de diálogo com os órgãos de preservação. A orientação inicial da UNESCO era pela demolição integral dos anexos. A revisão considerou a viabilidade da manutenção do uso original do imóvel como clube conciliando as estruturas antigas às contemporâneas e a recuperação das relações visuais entre os edifícios do Conjunto Moderno da Pampulha.

A proposta aprovada combina a retirada de construções posteriores com a incorporação de parte das instalações existentes e a requalificação de toda a área. “Esperamos que com a requalificação o clube passe a ser mais acessado pela comunidade de forma geral”, afirma Michele.

Próximas etapas e educação patrimonial

O projeto será estruturado para buscar patrocínios de empresas públicas e privadas por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A iniciativa deverá contemplar o desenvolvimento dos projetos executivos de restauração e requalificação, a execução das obras e ações de educação patrimonial. Paralelamente, está em andamento a regularização do imóvel junto à PBH, necessária ao avanço das aprovações.

A previsão da equipe é iniciar as obras a partir de 2027, condicionada ao detalhamento dos projetos, às aprovações necessárias e à captação de recursos. As primeiras intervenções deverão se concentrar no jardim de Burle Marx e no edifício do Salão Portinari. O cronograma será atualizado conforme a viabilização dessas etapas.

Durante a restauração, a proposta é ampliar as visitas ao clube, permitindo que estudantes, moradores e turistas acompanhem o processo. O Iate já recebe escolas municipais para atividades esportivas e pretende estender a programação a ações de educação patrimonial, com agendamento de visitas também para escolas estaduais e privadas. A continuidade dessas atividades e a manutenção dos espaços recuperados deverão ser articuladas por meio de parcerias com o poder público e patrocinadores.

Preservação e legado de Niemeyer

Para José Fernando Aparecido de Oliveira, presidente da Fundação Oscar Niemeyer, a recuperação do Iate é fundamental para compreender a integração entre arquitetura, paisagismo e artes plásticas que orientou a criação da Pampulha. “Não se trata apenas de conservar um edifício, mas de restabelecer a leitura de um projeto em que arquitetura e natureza foram concebidas conjuntamente”, afirma.

A parceria entre a Fundação e o clube reúne a experiência de preservação e difusão da obra de Niemeyer e a responsabilidade de gestão de um dos edifícios do arquiteto em Belo Horizonte. Conforme o escopo estabelecido entre as instituições, a contribuição da Fundação poderá envolver pesquisa histórica e documental e apoio à interpretação do projeto original e das soluções de recuperação.

Segundo José Fernando, a recuperação física, associada à interpretação e à divulgação do patrimônio, pode ampliar a experiência da Pampulha como espaço de aprendizagem e memória, além de destino turístico. “Preservar esse legado é também permitir que ele continue produzindo significado para a sociedade.”

Sobre o Iate Tênis Clube

Inaugurado em 1943, o então Iate Golf Club integra o Conjunto Moderno da Pampulha, concebido por Oscar Niemeyer a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2016. Sua sede se destaca pela cobertura em formato de asa de borboleta e pela relação com os jardins e a lagoa. Originalmente pertencente à Prefeitura de Belo Horizonte, o Iate passou, em 1960, a ser administrado como uma associação civil sem fins econômicos, dedicada a atividades esportivas, sociais e culturais.

Sobre a Fundação Oscar Niemeyer

Criada pelo arquiteto em 1988, a Fundação Oscar Niemeyer atua na preservação e divulgação de sua obra. Seu acervo reúne mais de 10 mil documentos arquitetônicos, além de fotografias e documentação textual, constituindo uma referência para pesquisas sobre o arquiteto e a arquitetura moderna brasileira.

SERVIÇO | Apresentação do projeto de requalificação do Iate Tênis Clube
Quando. 18 de novembro, quarta-feira, às 15h
Onde. Iate Tênis Clube (Av. Otacílio Negrão de Lima, 1350 – Pampulha)
Mais informações: https://iatebh.com.br/clube/?page_id=1878

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