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Agosto Dourado: Brasil atinge 45,8% de amamentação exclusiva, mas ainda busca cumprir metas globais para 2030 

Agosto Dourado: Brasil atinge 45,8% de amamentação exclusiva, mas ainda busca cumprir metas globais para 2030 

O vínculo entre mãe e filho ganha ainda mais visibilidade com a chegada da Semana Mundial da Amamentação, iniciativa que integra o Agosto Dourado e mobiliza o país em torno da conscientização sobre o cuidado, afeto e nutrição infantil desde os primeiros dias de vida. Os avanços na adesão ao aleitamento materno no Brasil são significativos, mas ainda insuficientes diante das metas globais. 

De acordo com a Agência Senado, a Assembleia Mundial da Saúde tinha estabelecido como objetivo alcançar, até o ano passado, pelo menos 50% dos bebês em aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, índice que tem como meta chegar a 70% até 2030. 

O Brasil não atingiu a meta inicial estabelecida até 2025, mas apresenta evolução consistente, com dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) apontando que 45,8% dos bebês brasileiros são amamentados exclusivamente até os seis meses. O percentual era de 37,1% em 2006 e apenas 4,7% há cerca de quatro décadas.

A pediatra e professora da Afya Itajubá, Dra. Glenia Junqueira Machado Medeiros, comenta que o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses oferece inúmeros benefícios para o desenvolvimento físico e imunológico do bebê. “Considerado a forma de nutrição ideal e completa, o leite materno contém todos os nutrientes necessários, como proteínas, gorduras, vitaminas e água, na quantidade adequada para um crescimento saudável. O leite vindo da mãe promove proteção imunológica por ser rico em anticorpos e outros fatores de defesa, especialmente no colostro, que atua como uma “primeira vacina” e ajuda a proteger contra infecções”.

A especialista ressalta que a amamentação reduz significativamente o risco de diarreia, infecções respiratórias, otites, alergias e outras doenças. “Bebês amamentados apresentam crescimento adequado e melhor desenvolvimento da face, da fala e da respiração. A longo prazo, o aleitamento materno pode contribuir para a redução do risco de obesidade, diabetes e hipertensão, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo”.

Além dos benefícios para o bebê, a amamentação também traz impactos positivos para a saúde materna. Estudos da Organização Mundial da Saúde indicam que mulheres que amamentam por mais tempo apresentam menor risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, além de favorecer a recuperação pós-parto e fortalecer o vínculo afetivo com o filho (OMS).

Estudos recentes confirmam o quadro de progressos, mas reforçam obstáculos. Uma pesquisa publicada no Brazilian Journal of Health aponta que a prevalência geral do aleitamento materno, considerando todas as suas modalidades, entre crianças menores de seis meses atinge 78,8% no país. A pesquisa mostra que o aleitamento materno exclusivo é mais comum na região Sul (54,3%) e menos frequente no Nordeste (39,0%). Por outro lado, o aleitamento materno misto, caracterizado pela introdução de outros alimentos, é mais recorrente no Nordeste (26,8%) e menos no Sudeste (14,7%).

“A pega incorreta da mama, a dor e as fissuras nos mamilos, além do ingurgitamento mamário, estão entre as dificuldades mais comuns no início da amamentação. Essas situações causam desconforto e podem gerar ansiedade e insegurança, levando à falsa percepção de “leite insuficiente” ou “leite fraco”. O uso precoce de mamadeira ou chupeta também pode interferir negativamente, favorecendo o desmame precoce por causar confusão de bicos e possível rejeição da mama. Quase todas as mulheres são capazes de produzir leite suficiente, o que reforça a importância do manejo correto”, complementa Dra Glenia Medeiros. 

As orientações sobre a importância do leite materno e as técnicas adequadas de aleitamento devem ser oferecidas desde o pré-natal e reforçadas no pré-parto, no pós-parto imediato, especialmente na primeira hora de vida do bebê, e após a alta da maternidade.

Influência da alimentação na amamentação 

O Ministério da Saúde recomenda o leite materno até os dois anos de idade, com exclusividade nos primeiros seis meses. Quanto maior o tempo de amamentação, maiores são os ganhos imunológicos, nutricionais e emocionais. A nutróloga e professora da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra Juliana Couto Guimarães, explica que a alimentação materna influencia diretamente a composição do leite, especialmente no que se refere aos micronutrientes e aos ácidos graxos. 

“Nesse período, alguns nutrientes merecem atenção especial, como os ácidos graxos essenciais, especialmente o DHA, fundamentais para o desenvolvimento neurológico do bebê, a vitamina D, importante para a saúde óssea e imunológica, as vitaminas do complexo B, com destaque para a B12, essenciais para o sistema nervoso, o iodo, crucial para a função tireoidiana e o desenvolvimento cognitivo, além do ferro e do zinco, relacionados ao crescimento e à imunidade.” 

Dra Juliana Couto também informa que refeições que contribuem para um melhor perfil nutricional da mãe durante amamentação incluem peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão, oleaginosas como castanhas e nozes, ovos, frutas, verduras e legumes variados, além de grãos integrais e leguminosas. “Por outro lado, não há alimentos absolutamente proibidos de forma geral, mas alguns devem ser consumidos com cautela, como o álcool, que pode passar para o leite, a cafeína em excesso, que pode causar irritabilidade no bebê, alimentos ultraprocessados, pelo baixo valor nutricional, e peixes com alto teor de mercúrio, como peixe-espada e tubarão”, conclui a nutróloga da Afya.

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