O dia 7 de outubro marca uma história que ultrapassa a trajetória de uma entidade sindical. É a data em que, em 1988, nasceu o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (SINAIT), apenas dois dias depois da promulgação da Constituição Federal que devolveu aos servidores públicos o direito de se organizarem sindicalmente. Em 2026, são 38 anos de uma história construída pela defesa da Inspeção do Trabalho, da valorização da carreira e, principalmente, dos direitos de quem trabalha.
O SINAIT nasceu em um período de redemocratização do país e se tornou o primeiro sindicato de servidores públicos criado após a Constituição de 1988. Desde então, sua trajetória se confunde com importantes avanços da Auditoria-Fiscal do Trabalho e com a luta pela construção de relações de trabalho mais justas. Ao longo dessas quase quatro décadas, a entidade esteve presente em debates sobre condições dignas de trabalho, saúde e segurança, combate ao trabalho escravo e infantil, inclusão de pessoas com deficiência e aprendizagem profissional.
Mas defender a Inspeção do Trabalho não significa olhar apenas para o passado. Significa reconhecer que os desafios do mundo do trabalho continuam se transformando e exigem uma fiscalização preparada, estruturada e independente para enfrentá-los.
Em Minas Gerais, a Delegacia Sindical do SINAIT, DS-MG/SINAIT, tem participado ativamente desse processo. A atuação da entidade envolve não apenas a defesa dos interesses dos Auditores-Fiscais do Trabalho, mas também a participação em debates públicos relacionados à proteção dos trabalhadores.
Representar Minas Gerais também significa levar para diferentes espaços a realidade encontrada pelos Auditores-Fiscais no exercício cotidiano de suas funções. Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em 2025, participei de debate sobre o trabalho escravo em lavouras de café no Sul de Minas e destaquei o engajamento dos Auditores-Fiscais mineiros no enfrentamento dessa realidade. A fiscalização precisa ter condições para agir justamente porque, em muitos casos, é ela que chega primeiro onde direitos fundamentais estão sendo violados.
A defesa dessa atuação também passa pela memória. Minas Gerais carrega uma das histórias mais dolorosas da Auditoria-Fiscal do Trabalho: a Chacina de Unaí, que vitimou três Auditores-Fiscais e um motorista em 2004. O crime mostrou, de forma brutal, os riscos enfrentados por servidores que atuam na fiscalização e no combate à exploração do trabalho. Manter viva essa memória é também reafirmar que a violência e a intimidação não podem impedir o Estado de cumprir seu papel na proteção dos trabalhadores.
É por isso que a existência de uma Inspeção do Trabalho forte interessa a toda a sociedade. Quando um trabalhador tem sua jornada respeitada, quando um ambiente inseguro é corrigido antes que provoque um acidente, quando uma criança é retirada de uma situação de trabalho infantil ou quando uma pessoa submetida a condições degradantes é resgatada, a atuação da fiscalização deixa de ser apenas uma questão institucional. Ela passa a representar a proteção concreta da dignidade humana. O SINAIT completa 38 anos. E a luta por trabalho decente continua.

Por Ivone Corgosinho Baumecker, Auditora-Fiscal do Trabalho e presidente da DS-MG/SINAIT


