Carnaval

Bartucada fará ensaio com revelação do tema de Carnaval nesta terça (20)

O Carnaval de Minas Gerais não seria o mesmo sem a sonoridade vinda do Vale do Jequitinhonha. A Bartucada, banda cinquentenária da folia mineira, deu o pontapé inicial para o Carnaval 2026. Com uma série de ensaios agendada para janeiro e fevereiro, o grupo — que conta com mais de 100 integrantes — se prepara para o grande desfile no dia 17 de fevereiro, Dia de Carnaval, em Belo Horizonte.

Os ensaios de 2026 vão acontecer nas seguintes datas:
20/01: Revelação do Tema 2026 – Mercado de Origem (BH)
29/01: Ensaio Geral – Mercado de Origem (BH)
31/01: Bloco Pequinzada – Vespasiano
05/02: Ensaio Geral – Mercado de Origem (BH)
06/02: Piracema – MG
07/02: Pré-Carnaval (BH) e Itaúna – MG
08/02: Mercês de Água Limpa – MG
17/02: Grande Desfile – Belo Horizonte

História e tradição de um das bandas de Carnaval mais queridas do país
A trajetória da Bartucada é um estudo sobre a ocupação do espaço público. Em 1972, o cenário carnavalesco de Diamantina era dividido entre os salões de clubes, com suas marchinhas tradicionais, e a poeira das ruas. Foi nas escadarias da Rua da Quitanda, entre o lendário bar Baiúca e o Clube Acayaca, que um grupo de jovens decidiu subverter a lógica da época.

O nome não poderia ser mais literal: a união da irreverência do bar com a força do batuque. Ali, nascia uma identidade que trocava o luxo dos salões pela liberdade da calçada.

“No começo, a gente só queria se divertir. E, justamente por ter esse princípio de diversão, ela foi crescendo. Foram muitos anos cantando no gogó mesmo. Mais raiz que acústico”, relembra Conrado Fabrino, fundador da banda.

Quem observa o logotipo da Bartucada, um círculo dividido entre o vermelho e o amarelo enxerga a filosofia do grupo. O design representa a lua e o sol, uma referência direta ao estilo de apresentação que se tornou marca registrada em Diamantina e foi transportado para a capital: o bloco que começa sob o luar e só silencia os tambores quando o sol aparece.

Essa resiliência é o que mantém a banda relevante após 54 anos. Para o guitarrista e coordenador musical Marcelo Toledo, que completa 24 anos de grupo nesta temporada, a Bartucada é um organismo vivo que sobreviveu às mudanças da indústria do entretenimento.

“A Bartucada tem uma resiliência absurda. Já presenciei vários altos e baixos. Vê-la chegar nestes mais de 50 anos com toda essa energia, vigor e união é muito gratificante”, pontua Toledo.

Para 2026, a banda reserva a escolha de um tema que envolve uma diretriz estética e o conceito artístico serve como o “norte” para a bateria, que busca equilibrar a tradição rítmica de Diamantina com a grandiosidade logística exigida pelos megablocos da capital. Em 2026, o desafio é manter o frescor de um grupo cinquentenário em um cenário cada vez mais competitivo.

Conrado Fabrino adianta que apesar do gigantismo da festa em Belo Horizonte, o foco permanece na técnica e na emoção da percussão. “A gente aquece os tambores nestes ensaios como uma forte de resgate da nossa história também, mas com o olhar voltado para o futuro de BH. Nosso maior desafio é não deixar que a essência da nossa batida se perca no meio da multidão. O ensaio serve para ajustar esse compasso: queremos a potência de um megabloco, mas com a alma da roda de amigos que começou tudo lá atrás”, conclui.

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