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Bloqueios indevidos no Instagram levam usuários à Justiça em busca da recuperação de contas

Falhas em algoritmos e bloqueios indevidos têm se tornado uma das principais causas de suspensão e banimento de contas no Instagram nos últimos meses. A situação tem gerado preocupação entre empreendedores digitais, criadores de conteúdo e profissionais autônomos que dependem da plataforma para divulgar seus serviços, gerar vendas e conquistar novos clientes.

A legislação brasileira prevê proteção aos usuários nesses casos. O artigo 20 do Marco Civil da Internet determina que os provedores de aplicações, como Instagram e Facebook, devem informar os motivos da indisponibilização de conteúdos ou contas, garantindo ao usuário o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Diante da perda repentina de acesso aos perfis, muitos profissionais têm recorrido à Justiça para buscar a reativação das contas. Uma das alternativas mais utilizadas é o pedido de tutela de urgência, conhecido como liminar, que pode resultar em decisões judiciais em até 24 horas, dependendo do caso.

A advogada Luana Mendes Fonseca de Faria, especialista na defesa de consumidores em conflitos envolvendo plataformas digitais, explica que bloqueios injustificados podem gerar o dever de indenização por danos morais, com valores que costumam variar entre R$ 3 mil e R$ 10 mil.

“Em caso de bloqueio sem justificativa adequada, o usuário deve agir rapidamente pela via administrativa, registrando pedido de revisão dentro da própria plataforma e preservando todos os protocolos, e-mails e capturas de tela. Se não houver retorno da empresa, é recomendável buscar a via judicial com pedido de tutela de urgência para a reativação da conta”, orienta.

Segundo a especialista, as principais provas para esse tipo de ação incluem registros da tela contendo a mensagem de bloqueio, com indicação de data e horário, e-mails trocados com a plataforma, protocolos de atendimento, histórico das tentativas de solução, documentos que comprovem a titularidade da conta e, no caso de perfis profissionais, evidências do uso comercial da página.

“Quando há pedido de indenização por danos materiais, a comprovação do prejuízo sofrido também é fundamental”, acrescenta.

Luana destaca ainda que cada processo deve ser analisado individualmente, uma vez que os motivos para suspensão das contas podem variar. Ela cita casos semelhantes ao enfrentado pela Agência Anzol Criativo para exemplificar a questão.

“Nem toda suspensão gera indenização automática. O que se observa é que, quando ocorre bloqueio sem motivação concreta, sem comprovação de violação aos termos de uso ou sem oportunidade de revisão, há o reconhecimento da ilegalidade da punição. Nesses casos, a Justiça tem admitido tanto a reativação da conta quanto a indenização por danos morais, especialmente quando o bloqueio afeta a imagem, a rotina ou a atividade profissional do usuário”, explica.

Já os danos materiais, segundo a advogada, exigem demonstração objetiva dos prejuízos, como contratos perdidos, campanhas publicitárias interrompidas, queda de faturamento ou perda de oportunidades comerciais.

“Quando o perfil possui finalidade comercial, as consequências tendem a ser mais graves, porque o bloqueio deixa de representar apenas um transtorno pessoal e passa a impactar diretamente a atividade econômica do usuário. Por isso, além da reativação imediata da conta, pode haver fundamento para pedidos de indenização por danos morais e materiais, desde que o prejuízo econômico seja devidamente comprovado”, conclui.

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