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Desaparecimento de cápsula com Césio-137 na Argentina reacende alerta sobre riscos radiológicos e lembra tragédia de Goiânia

O desaparecimento de uma cápsula contendo Césio-137 em um centro médico da cidade de Rosário, na Argentina, mobilizou autoridades do país e reacendeu um alerta mundial sobre os riscos associados ao manuseio inadequado de materiais radioativos. O caso levou o governo argentino a emitir um alerta nacional de emergência, enquanto equipes de segurança e órgãos reguladores tentam localizar a fonte radioativa desaparecida. Segundo informações divulgadas pelas autoridades argentinas, o material era utilizado para calibração de equipamentos de medicina nuclear e estava armazenado em um recipiente blindado de chumbo, projetado justamente para impedir a liberação da radiação.

O episódio inevitavelmente remete ao acidente radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987, considerado um dos mais graves acidentes com material radioativo fora de instalações nucleares da história. Na ocasião, uma fonte de Césio-137 retirada de um aparelho de radioterapia abandonado provocou a contaminação de centenas de pessoas, deixando mortos, feridos e impactos ambientais que persistem até hoje.

Para a farmacêutica Ana Paula Corrêa Oliveira Bahia, professora do curso de Farmácia da Newton Paiva Wyden, a preocupação das autoridades é plenamente justificada devido às características do elemento. “O Césio-137 é um radioisótopo que emite radiação eletromagnética de alta energia, suficiente para interagir e ionizar outros elementos. A radiação gama emitida por esse material é altamente energética e penetrante nos tecidos humanos, sendo capaz de provocar alterações no DNA, morte celular, mutações genéticas e aumentar significativamente o risco de desenvolvimento de câncer”, explica.

Segundo a especialista, a exposição direta ao material pode desencadear sintomas agudos como náuseas, vômitos, diarreia, queimaduras graves e, em situações mais severas, levar à morte, dependendo da dose absorvida e do tempo de exposição.
Embora o Césio-137 seja amplamente associado a acidentes radiológicos, ele possui aplicações importantes na medicina moderna. O radioisótopo é utilizado em equipamentos de radioterapia para tratamento de câncer, onde a radiação gama é direcionada às células tumorais para destruir tecidos malignos.”O mesmo mecanismo que permite combater tumores é capaz de causar danos severos quando ocorre exposição não controlada. Por isso, o uso desse material exige protocolos rigorosos de segurança durante armazenamento, transporte, utilização e descarte”, afirma Ana Paula.

A professora destaca que normas internacionais estabelecidas por organismos como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinam procedimentos rígidos para o controle de materiais radioativos em todo o mundo.

Risco vai além da exposição humana.

Além dos danos diretos à saúde, a especialista alerta para os impactos ambientais que podem ocorrer caso a cápsula seja danificada.”O desaparecimento da cápsula representa uma grave ameaça à saúde pública e expõe vulnerabilidades em sistemas que deveriam operar sob os mais elevados padrões de segurança. Se houver violação da blindagem ou rompimento do recipiente, partículas radioativas podem contaminar o solo, a água, os animais e as pessoas, gerando consequências ambientais e sanitárias que podem persistir por décadas”, alerta.

Segundo informações divulgadas pela Autoridade Regulatória Nuclear da Argentina, o risco permanece considerado baixo enquanto a cápsula continuar dentro da blindagem de chumbo. Ainda assim, a recomendação oficial é clara: qualquer pessoa que encontre um objeto suspeito não deve tocá-lo nem tentar manipulá-lo, acionando imediatamente as autoridades competentes.

Ainda segundo Ana Paula, o episódio serve como um importante alerta global sobre a necessidade permanente de vigilância e segurança radiológica. “Diante da gravidade da situação, é fundamental que o governo argentino intensifique as ações de busca e reforce os protocolos de segurança radiológica. Casos como esse mostram que a proteção contra materiais radioativos depende não apenas da tecnologia, mas também de processos rigorosos de controle, fiscalização e conscientização”, conclui.

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