O aumento da expectativa de vida e a busca pelo envelhecimento saudável mudaram a forma como os brasileiros vivenciam a maturidade. Segundo dados divulgados em 2025 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e da Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas idosas já representam 16,6% da população brasileira. Além disso, essa parcela da sociedade demonstra forte vitalidade social e econômica: 24,4% das pessoas com mais de 60 anos continuam ativas no mercado de trabalho.
Os números revelam uma geração mais ativa, independente e presente na vida da família. O movimento acompanha tendências observadas em estudos recentes de comportamento, em levantamento divulgado pelo Sebrae em 2025, 13,3% de empreendimentos foram abertos por pessoas de mais de 50 anos. Além disso, em pesquisa realizada pela PNAD contínua, no ano passado, revelam que pessoas com 60 anos ou mais foram o grupo que mais ampliou o acesso à internet em 2025, marcando forte presença no universo tecnológico.
O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, chama a atenção para a importância dos cuidados com a saúde física e emocional, fundamentais para vivenciar a terceira idade com autonomia, disposição e bem-estar. Para orientar sobre o assunto, especialistas da Hapvida explicam como hábitos preventivos e a independência garantem mais qualidade de vida no envelhecimento.
Hábitos saudáveis antes dos 60 anos
De acordo com Bruno Sampaio, médico da Hapvida, envelhecer com qualidade começa muito antes de atingir as seis décadas vividas. “A Organização Mundial da Saúde considera idosa a pessoa com 60 anos ou mais, entretanto os cuidados não devem começar apenas nessa fase. Quanto mais cedo hábitos saudáveis forem incorporados à rotina, maiores são as chances de prevenir doenças, preservar a capacidade funcional e chegar à velhice com autonomia e independência”, afirma o especialista em Saúde da Família.
Segundo o especialista, alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade, além de consultas preventivas, fazem total diferença na saúde ao longo dos anos.
Nem toda mudança faz parte do envelhecimento
O médico da Hapvida explica que é fundamental saber diferenciar as transformações naturais do corpo dos sinais de alerta. “Algumas alterações são esperadas com o avanço da idade, como a redução gradual da força muscular e pequenas falhas de memória que não interferem na rotina. No entanto, dificuldades para realizar atividades cotidianas, perda importante de memória ou mudanças repentinas de comportamento precisam de avaliação médica”, destaca Bruno Sampaio
Para garantir essa independência ao longo dos anos, o acompanhamento preventivo contínuo é indispensável. “É preciso manter a vacinação em dia, controlar doenças crônicas, realizar exames periódicos e revisar o uso de medicamentos. Esses cuidados ajudam a prevenir complicações e favorecem um envelhecimento com muito mais segurança e qualidade de vida”, ensina o especialista.
Uma geração que continua realizando sonhos
A psicóloga da Hapvida, Karina Siqueira, afirma que o papel dos avós mudou profundamente nas últimas décadas. “Antigamente, o idoso era visto apenas como alguém que precisava de cuidados. Hoje, muitos continuam trabalhando, ajudam financeiramente a família, cuidam dos netos, viajam, praticam esportes e participam ativamente da sociedade”, observa a especialista.
Essa postura ativa traz impactos diretos para a preservação da saúde mental e emocional durante a maturidade. Segundo Karina, manter uma rotina rica em hobbies, viagens, atividades físicas e momentos com os amigos ajuda a encontrar novos propósitos após a aposentadoria, o que reduz significativamente os riscos de ansiedade e depressão, além de favorecer o bem-estar físico.
Autonomia e qualidade de vida
Para Karina, outro ponto importante é respeitar a independência dos idosos. “Muitas famílias ainda tratam o idoso como se ele fosse incapaz. Hoje, boa parte deles tem autonomia, disposição e capacidade para tomar decisões sobre a própria vida. É importante oferecer apoio quando necessário, mas também respeitar suas escolhas.”
A psicóloga destaca que começar um esporte, desenvolver uma atividade artística, viajar, fortalecer os vínculos com amigos e familiares ou tirar antigos planos do papel são atitudes que contribuem para uma terceira idade mais saudável, participativa e feliz.



