No dia 15 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil (ICCD), data criada em 2002 pela Childhood Cancer International (CCI). A data tem como foco não apenas conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce no aumento das chances de cura da doença, mas também identificar desafios e desigualdades no tratamento do câncer infantojuvenil, ao longo de um mês.
Assim como em países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade. Os tipos mais comuns na infância são as leucemias, os linfomas e os tumores do sistema nervoso central. As estatísticas podem e devem ser mudadas.
As chances de cura da doença podem ultrapassar 80% quando há diagnóstico precoce e o tratamento é realizado em centros especializados. É fundamental a busca por melhorias na qualidade de vida, especialmente, durante o tratamento do câncer em crianças e adolescentes, a causa defendida pela Fundação Sara.
No Norte de Minas, não há um centro especializado exclusivo para o tratamento de crianças e adolescentes com câncer. O desafio é oferecer um centro especializado na região para garantir tratamento adequado e oportunidades iguais aos pequenos e jovens pacientes.
Em parceria com a Santa Casa de Montes Claros, onde hoje é ofertado tratamento do câncer para crianças e adolescentes, o primeiro passo foi dado com a construção do Hospital de Câncer Sara Albuquerque, estimado em R$ 13 milhões de reais e com término previsto até o final de 2027. A conclusão e manutenção do primeiro hospital oncopediátrico da região dependem do apoio solidário de milhares de pessoas.
“O direito à saúde é prerrogativa constitucional. O Hospital de Câncer Sara Albuquerque é a concretização de um sonho, sonhado e realizado por cidadãos e agentes sociais de uma gama de setores da sociedade, e vem somar para garantir maior alcance de crianças e adolescentes ao tratamento de câncer com dignidade”, afirma o presidente da Fundação Sara, Álvaro Gaspar Costa.

Uma história de superação e coragem
Nessa data, histórias de luta, resiliência e esperança ganham voz e reforçam a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do apoio contínuo às crianças e adolescentes em tratamento oncológico. Entre essas histórias está a de Ingrid Rodrigues, de 13 anos, assistida pela instituição. “Ingrid começou com fortes dores de cabeça e, por três meses, foi tratada como sinusite. Até que, em abril de 2024, uma tomografia apontou algo diferente e a ressonância confirmou o diagnóstico de neuroblastoma. Desde então, ela passou por duas cirurgias, 30 sessões de radioterapia e segue em quimioterapia, além de acompanhamento com fonoaudióloga e fisioterapeuta. Não tem sido fácil, mas a Ingrid tem mostrado uma força que me enche de orgulho. Seguimos firmes nessa luta, com fé e esperança de dias melhores”, relata a mãe, Luciana Souza, de Sete Lagoas (MG).
Para a hematologista voluntária, Dra. Luiza Paixão, cada detalhe observado pode salvar vidas. “Quando o diagnóstico é feito de forma precoce, conseguimos oferecer um tratamento mais eficaz e aumentar significativamente as chances de cura. Por isso, o acompanhamento pediátrico regular e a atenção da família aos sintomas são fundamentais”, reforça.
Diferentemente do câncer em adultos, os fatores que levam ao desenvolvimento da doença em crianças ainda são pouco conhecidos, o que torna o diagnóstico precoce um dos principais aliados na luta contra o câncer infantil. Reconhecer os primeiros sinais e sintomas e estar atento a mudanças persistentes no comportamento ou na saúde das crianças pode ser decisivo. Em muitos casos, a chance de cura está diretamente ligada à rapidez no diagnóstico, ao encaminhamento ágil para serviços especializados e ao início imediato do tratamento adequado.
Nesse contexto, a Fundação Sara desempenha um papel fundamental ao atuar no acolhimento, apoio e assistência às crianças e adolescentes com câncer e suas famílias. A instituição trabalha de forma contínua para fortalecer a humanização do tratamento, ampliar o acesso a recursos essenciais e incentivar a informação como ferramenta de transformação, contribuindo para melhores desfechos clínicos e emocionais.
“Mais do que uma data simbólica, o Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil é um convite à sociedade para se engajar, compartilhar informação de qualidade e apoiar iniciativas que promovam o cuidado integral, a esperança e a vida”, destaca Joanna Cattoni, Gerente Geral da Unidade de Belo Horizonte.


