Nesta terça-feira (20/01), Dia Mundial do Queijo, a FIEMG celebra a relevância de Minas Gerais como principal referência do Brasil na produção de queijos. O estado concentra tradição, diversidade e relevância econômica em um setor profundamente ligado à identidade mineira. O queijo, por sua vez, agrega elevado valor nutricional e impulsiona toda a cadeia da indústria do leite.
Minas Gerais é o maior produtor de leite do país, com cerca de 9,3 bilhões de litros anuais, o que representa mais de 27% da produção nacional, conforme dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Um dos fatores que explicam esse protagonismo é o fato de todos os municípios mineiros possuírem produção de leite, matéria-prima essencial para a fabricação de queijos. Essa capilaridade produtiva reforça a presença do queijo no cotidiano, na cultura alimentar e na economia de todas as regiões do estado.
Outro indicador que evidencia a vocação mineira é o destino do leite inspecionado. Em Minas Gerais, 48,5% do volume inspecionado — cerca de 2,9 bilhões de litros — é destinado à produção de queijo, percentual superior à média nacional, que é de 38%, segundo dados do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (SILEMG). Minas também é reconhecida como o berço do queijo no Brasil, reunindo uma ampla diversidade de tipos, do artesanal ao industrial, amplamente valorizados no mercado interno e com crescente reconhecimento internacional.
Para o presidente do SILEMG, Guilherme Abrantes, o queijo tem papel central para o desenvolvimento da indústria e das regiões produtoras. “O queijo é um dos pilares da indústria do leite em Minas Gerais. Ele gera emprego, renda e desenvolvimento em todo o estado, valoriza a produção local e carrega um forte simbolismo cultural. Celebrar o Dia Mundial do Queijo é reconhecer a importância econômica, cultural e nutricional desse produto para Minas e para o Brasil”, afirma.
A indústria do queijo em Minas Gerais é formada tanto pela agroindústria familiar, que desempenha papel fundamental na geração de empregos, na valorização do produtor rural e na preservação de saberes tradicionais, quanto pela grande indústria, responsável por escala produtiva, investimentos, inovação e abastecimento do mercado. O setor tem avançado em modernização, eficiência e qualificação, ao mesmo tempo em que trabalha para superar desafios estruturais, como o custo do crédito, a necessidade de ampliar a automação, incorporar tecnologias da indústria 4.0 e enfrentar um ambiente de elevada competitividade.
Segundo João Lúcio Barreto, diretor-presidente da Laticínios Porto Alegre, a capacidade de adaptação tem sido um diferencial da indústria mineira. “A indústria de laticínios vem investindo continuamente em inovação, tecnologia e eficiência para se manter competitiva. Ao mesmo tempo, existem desafios importantes, como o custo do crédito e a necessidade de avançar ainda mais em automação. A capacidade de adaptação e reinvenção diária é uma das grandes forças da indústria de Minas Gerais”, destaca.
No cenário internacional, a exportação de queijos ainda enfrenta obstáculos, especialmente relacionados às exigências sanitárias. Ainda assim, a avaliação do setor é de que a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, no último sábado (17), pode abrir novas perspectivas. “O acordo tende a ampliar o diálogo técnico, facilitar o acesso a mercados e criar oportunidades para produtos de maior valor agregado, como os queijos, beneficiando tanto o Brasil quanto a União Europeia”, avalia João Lúcio.
Filiado à FIEMG, o SILEMG representa, atualmente, 182 indústrias em Minas Gerais, distribuídas por todas as regiões do estado, e atua de forma estratégica no fortalecimento do setor, na defesa da indústria e no estímulo à competitividade


