A cadeia produtiva do leite e da uva ganha protagonismo em Diamantina, onde iniciativas que unem produção artesanal e turismo vêm fortalecendo o agro regional. O roteiro de queijos e vinhos evidencia a capacidade do campo mineiro de agregar valor à produção, aliando tradição, tecnologia e mercado consumidor em expansão.
A base dessa construção está na tradição queijeira. Pequenos produtores mantêm métodos artesanais transmitidos entre gerações, garantindo identidade e padronização aos queijos frescal, meia cura e maturados. A produção, majoritariamente ligada à agricultura familiar, reforça o papel do leite como ativo estratégico da economia local, além de preservar práticas que definem o terroir mineiro.
No segmento vitivinícola, o avanço é resultado de investimentos em manejo, adaptação de cultivares e técnicas de vinificação. Variedades como Syrah, Tempranillo e Sauvignon Blanc vêm apresentando bom desempenho em condições locais, ampliando a competitividade dos vinhos mineiros. Esse movimento posiciona o estado como uma nova fronteira produtiva, com foco em qualidade e diferenciação.
A integração entre essas cadeias cria um ambiente propício para o desenvolvimento do enoturismo e do turismo rural. As propriedades abrem espaço para visitas técnicas e experiências guiadas, permitindo ao visitante acompanhar etapas que vão do cultivo e manejo até a transformação e degustação. Esse contato direto com o produtor fortalece a rastreabilidade, valoriza a origem e amplia a percepção de qualidade dos produtos.
Do ponto de vista econômico, o modelo contribui para a diversificação de renda no campo, estimula a permanência das famílias na atividade rural e gera novas oportunidades ao longo da cadeia, da produção à comercialização. O turismo gastronômico, nesse contexto, atua como vetor de desenvolvimento regional, dinamizando o comércio e ampliando mercados para produtos artesanais.
E a experiência se estende para além da produção. O Hotel Estilo de Minas, por exemplo, incorpora a cultura local ao promover noites de jazz associadas à gastronomia regional. A proposta conecta campo, mesa e expressão artística, agregando valor à experiência e fortalecendo a identidade de Diamantina como um destino onde o agro, a cultura e o turismo caminham de forma integrada. “As harmonizações entre queijos e vinhos reforçam o potencial técnico dessa produção integrada fortificando ainda mais o destino”, afirma Ricardo Luiz, produtor cultural do munícipio



