No dia 30 de abril, será realizada a pré-estreia do documentário “A ‘Casa’ que se revoluciona”. Com 13 minutos de duração, a obra revisita um antigo casarão localizado na região do Barreiro, espaço que carrega uma memória marcante por ter abrigado uma unidade da antiga Febem.
A produção propõe um deslocamento desse imaginário ao apresentar o local sob uma nova perspectiva. Hoje, o espaço se consolida como um polo de educação e atividades culturais, ressignificado pela própria comunidade. A partir de relatos e vivências coletivas, o filme evidencia como a ocupação social e cultural pode transformar territórios e reconstruir narrativas. “O casarão, antes símbolo de dor, passa a representar vida, pertencimento e esperança, reforçando o papel da arte e da educação como ferramentas de mudança”, ressalta a produtora, Mônica Veiga.
“A ‘Casa’ que se revoluciona” é resultado do Cria Periferia, iniciativa da Atlântico Filmes que promove formação audiovisual, estimulando o protagonismo e a construção de narrativas a partir das periferias. Esta edição é realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte / Edital Descentra.
Para Dalila Pires, coordenadora geral do programa, a democratização do acesso ao audiovisual dá voz a quem vive na periferia. “O Cria transforma vivências muitas vezes invisibilizadas em narrativas potentes, capazes de ocupar espaços, provocar reflexões e reafirmar identidades”, aponta.
O processo de criação do documentário foi marcado pelo amadurecimento coletivo de seus realizadores. Para a aluna Érica Rodrigues, que teve sua ideia de argumento selecionada pela equipe de instrutoras para ser transformada no filme desta edição, o projeto foi uma forma de resgatar a trajetória do território: “Refletir sobre essa história é reconhecer que ali existe sofrimento, mas também uma força imensa. Nossa luta é para que esse passado jamais se repita e o local seja ressignificado”, afirma. Essa construção foi viabilizada pelo espírito de cooperação da turma, ponto destacado pelo aluno Davi Reis. Segundo ele, a vivência prática revelou que a cultura nasce da comunidade: “Talvez seja essa a descoberta que tive na oficina: é impossível dar vida a uma ideia sem apoio. Todos são fundamentais para que o trabalho ganhe vida”.



