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Em ritmo de Copa, Isabela Dias, atriz de ‘Brasil 70’, da Netflix, fala sobre experiências com o evento e sucesso da série

A série “Brasil 70 – A Saga do Tri”, da Netflix, faz quem assiste acompanhar momentos marcantes da campanha do tricampeonato mundial e, de quebra, influencia na lembrança de situações nostálgicas próprias de cada brasileiro em período de Copas do Mundo. A atriz Isabela Dias, que na série interpreta Marlene Venerando, esposa do goleiro Félix, é uma das que foi impactada com memórias positivas da seleção.

Minha lembrança mais marcante foi em 2002. Foi uma Copa simbólica e, ali, comecei a entender o quanto o futebol era um fator de união de um povo. Eu tinha 8 anos, e ver a vitória do Brasil, acompanhar a comemoração das pessoas, a minha família toda vibrando no sítio da minha vó, carreata na cidade, bandeiras da seleção sendo carregadas com orgulho, o hino tocando, com certeza foi muito marcante. A imagem de todos reunidos na praça da cidade, além de outros momentos desse dia, foi inesquecíveis”, revela.

Além do pentacampeonato, outra memória na vida de Isabela foi em 2022. A ideia na época, segundo ela, era de voltar com o sentimento pré-Copa que o povo brasileiro teve constantemente, mas que havia sido abalado pelas decepções nos torneios de 2014 e 2018. “Foi no período do aniversário da minha mãe, onde conseguimos reunir toda a família e torcer nos jogos. Decoramos a casa toda, a rua, tentamos recuperar aquele espírito de torcida que a Copa sempre teve”, lembra.

Reunir os familiares nos jogos era algo tradicional, puxado principalmente pelo pai, seu Ricardo Amâncio, como explica a atriz.

Era um evento. Minha família é enorme, então era uma expectativa no dia dos jogos. Apesar dos momentos de tensão, era muito divertido. Nos intervalos a gente ficava discutindo o que tinha que mudar nos times, o que estava bom. Meu pai e meus tios tinham a tradição de se reunirem aos domingos para assistir aos jogos. Ele também sempre jogou, até por isso acho que esse meu gosto por futebol, especificamente em Copa, veio por influência completa dele“, conta.

A participação na série e todo o vínculo com a seleção fazem Isabela ter a chance de comparar os momentos da época com os de agora, que, segundo ela, são diferentes. “Acho que muita coisa mudou. Em 70 estávamos no auge da Ditadura, depositamos na seleção toda a nossa esperança, o futebol era um respiro diante de tudo que estava acontecendo. Eu gostaria muito que existisse a mesma comoção do o time de 70 com o time de 2026, mas acho que são épocas diferentes, hoje temos as redes sociais, muita coisa mudou”, ressalta.

Mesmo assim, por tudo que aquele time passou, e por alguns pontos em comum com os de agora, acho que deveria ser obrigatória a seleção de 2026 assistir a série”, brinca. “É um elenco que na época precisou passar por certas adversidades até ganhar o tri e que servem de motivação para os jogadores de agora. Mas mesmo os jogadores não assistindo essa trajetória de 70, a minha expectativa para essa copa é a melhor possível, por serem bons atletas. Eu torço muito pelo nosso país, quero muito poder viver a mesma sensação que eu vivi com 8 anos”, diz.

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Isabela Dias nos bastidores – Divulgação

Recepção dos pais com a série

A atriz conta que ao vê-la como Marlene na Netflix foi motivo de orgulho para os pais. A mãe, dona Célia Dias, ficou “muito comovida” com as cenas. “Ela chorava com os jogos, vibrava nas cenas em que minha personagem aparecia. Meu pai ficou chocado com a semelhança do elenco com os jogadores. Eles ficaram muito impactados com a magnitude dessa produção”, fala.

A série impactou, além dos pais, a própria Isabela, que juntou o que aprendeu ao ver a seleção campeã aos 8 anos com os aprendizados de “Brasil 70”. “Aprendi que o futebol vai muito além de um jogo. É cultura, é união, é a esperança de um povo. A série nos permite poder sonhar de novo. Aquele time de 70 é um exemplo de garra, de genialidade com a bola, e mais do que tudo, de amor pelo que faz”, finaliza.

Sobre a série e a preparação

A série ‘Brasil 70 – A Saga do Tri’, que estreou dia 29 de maio, no Netflix, retrata a jornada da seleção brasileira até o tricampeonato da Copa do Mundo, no México. Isabela dá vida a Marlene Venerando, esposa do goleiro Felix.

“Assim que soube que havia passado no teste, comecei uma pesquisa muito intensa sobre essa mulher, sua relação com o marido e com as filhas. Fiquei impressionada com a força dela, como ela era a base daquela família, foi aí que me dei conta da maravilhosa e imensa responsabilidade de estar representando a Marlene”, explica.

No processo de preparação para viver a personagem, Isabela, além da ajuda da preparadora de elenco Marina Medeiros e da amiga Thaís Mansano, contou ainda com alguém muito próximo da esposa de Felix.

“Tive ajuda da incrível Marina Medeiros, responsável pela preparação do elenco na série, além da minha mestra, preparadora de atores e amiga Thaís Mansano, que tem seu próprio método de atuação, e claro, muita pesquisa. Consegui encontrar nas redes uma das filhas da Marlene, a Patrícia, e ela me ajudou bastante contando histórias e compartilhando fotos. Além disso, assisti entrevistas, vi todos os jogos da Copa de 70, montei um álbum de fotos da Marlene com a família, mergulhei profundamente nessa história”, revela. 

Apesar de ser a esposa de Felix, vivido por Hugo Haddad, a atriz não contracenou diretamente com o ator.

“Na série contraceno com Maria Clara Hallek, que faz a Lígia, minha filha. Além disso, contraceno com o pessoal da vila, onde nos reunimos pra assistir todos os jogos. O Hugo conheci nos testes de caracterização e figurino. Foi um querido desde o começo, apesar de não contracenarmos juntos, compartilhamos algumas informações sobre essa família, falamos do processo. É muito gratificante conhecer tanta gente incrível através de um trabalho”, comenta.

Apesar de não estarem juntos em cena, Isabela e o intérprete de Félix encenam duas cenas que se tornariam mais emblemáticas fora dos campos durante a Copa.

“São duas cenas que se passam durante duas ligações. A primeira, é uma ligação que o Felix, já no México. Ele liga para Marlene pra falar que estava apreensivo e logo em seguida pede pra falar com a filha Lígia que questiona porque as pessoas o chamam de frangueiro. Já na outra ligação, é quando o Brasil é campeão, ele sai do campo assim que o jogo acaba pra ligar pra família dizendo que conseguiu vencer e que a filha agora tem um pai campeão do mundo”, conta ela, que relembra que na época era difícil os jogadores ligarem para os familiares, mas que Felix conseguiu.

Uma profissional multifacetada

É o seu primeiro personagem no streaming, mas a paulista de 32 anos, nascida em Cardoso, interior de São Paulo, já tem 13 anos de carreira, com muito destaque no teatro, onde além de atuar, escreve e dirige espetáculos.

“Faço teatro há mais de 12 anos, então todas as produções considero muito importantes. O meu projeto autoral a peça “Eu não vou te segurar”, que também protagonizei, com certeza me marcou muito e foi um divisor de águas na minha carreira, me fez crescer muito enquanto artista, ser humano, me fez amar mais a profissão. Tive também a oportunidade de dirigir “Os seminaristas” e o musical “Amanhã vai ser outro dia”. Esse ano fiz “Por uma gota de água”, que me trouxe uma lembrança única: minha estreia como atriz no Festival de Curitiba. Foi uma experiência muito enriquecedora”, explica.

Além de se aventurar em várias funções no teatro, em 2023 Isabela também foi protagonista, coautora e codiretora da websérie “Você está aqui”, produção feita exclusivamente para o Instagram.

“Na websérie, fui coprotagonista, dividi o protagonista com a atriz Raiza Leão. Eu vejo esse lado de estar na frente das câmeras como uma oportunidade de aprender, tenho curiosidade em explorar o desconhecido, e dou o meu melhor em tudo que me disponho a fazer. Descobri também que dar aula é uma das minhas grandes paixões, adoro preparar atores e atrizes e compartilhar o que eu sei, aprender com eles”, detalha ela sobre as múltiplas funções dentro das artes. “Sou uma artista que não espera o mercado chamar, eu crio minhas oportunidades, e isso tive que aprender na prática, porque nosso ofício é muito duro com a gente, muitas vezes, injusto. Mas eu crio projetos, participo de projetos de amigos, porque é uma quase como uma necessidade vital”, completa.

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